COMO PRATICAR RAGANUGA-BHAKTI
(Uma aula sobre Sri Bhajana Rahasya, 6.º Yama)
Mathura, Índia: 9 de Março de 2004.
Srila Maharaja começou seu sexto capítulo das séries de aula do Sri Bhajana-rahasya em Mathura, e continuou as séries em Govardhana, durante o parikrama de Vrndavana-Navadvipa. Acima, ele está falando em Govardhana. Este verso foi falado pelo próprio Sri Caitanya Mahaprabhu:
naham vipro na ca nara-patir napi vaisyo na sudro naham varni na ca grha-patir no vana-stho yatir va kintu prodyam nikhila-paramananda-purnamrtabdher gopi-bartuh pada-kamalayor dasa-dasanudasah
["Eu não sou um brahmana, nem sou ksatriya, nem sou um vaisya ou um sudra. Nem sou um brahmacary, um chefe de família, um vanaprastha ou um sannyasi. Identifico-me unicamente como o servo do servo do servo dos pés de lótus do Senhor Sri Krsna, o mantenedor das gopis. Ele é como um oceano de néctar, e Ele é a causa da bem-aventurança transcendental. Ele está sempre existindo com esplendor." (Caitanya- caritamrta Madhya-lila 13.80)]
Realmente, toda entidade viva – todo ser humano animal, pássaro, abelha e insetos – todos neste mundo e todos no mundo espiritual – Mãe Yasoda e Nanda Baba – todos desde a base até o topo são todos Krsna-dasa. Está escrito no Sri Caitanya Caritamrta Adi-lila 5.142:
ekale isvara krsna, ara saba bhrtya yare yaiche nacaya , se taiche kare nrtya
["O Senhor Krsna é o único e Supremo controlador, e todos os outros são seus servos. Eles dançam enquanto Ele os faz dançar."]
Até mesmo mãe Yasoda e Nanda Baba são dasas, servos de Krsna – em vatsalya bhava, no humor paternal. Gargarya e Sandilya Rsi são dasas, também. Kunti, Draupadi, Devaki e Vasudeva – todos são dasa e dasi de Krsna. Yare yaiche nacaya, se taiche kare nrtya significa que Krsna causa em todos a dança e comporta-se de acordo com seu desejo. Srimati Radhika é a sakti de Sri Krsna, e seu prema tem uma especialidade.
radhikara prema guru, ami sisya nata sada ama nana nrtye nacaya udbhata
["O amor de Radhika é meu professor e eu sou seu aluno dançando para ela. O prema dela faz-me dançar várias novas danças."(Caitanya- caritamrta Adi-lila 4.124)]
Aqui está declarado que o prema de Radhika faz Sri Krsna dançar. Isto é verdadeiro, mas do ponto de vista de tattva, verdades filosóficas estabelecidas, até mesmo Srimati Radhika é dasi. Vemos que quando Krsna desapareceu da Rasa-lila, Radhika estava chorando:
he natha ramana prestha kvasi kvasi maha-bhuja dasyas te krpanaya me sakhe darsaya sannidhim
["Ela chorou: "Ó mestre! Meu amante! Ó mais querido, onde está você? Por favor, ó pessoa de braços poderosos, ó amigo, mostre-se para Mim, Sua pobre serva!" (SB 10.30.39)]
Ela chorou, "Eu sou sua dasi." Es te humor de dasi especialmente se manifesta no momento da separação. A concepção neste mundo de ser feminina ou masculina é falsa. Por quê? A jiva emanou da região tatastha, a linha marginal entre as energias espiritual e material. Ela veio do olhar de Karanadakasayi Visnu. Até mesmo neste momento, embora a jiva não esteja fazendo qualquer seva, de acordo com sua natureza constitucional ela é Krsna- dasa. Quando vem para cá e é condicionada pela energia material, ela desenvolve a concepções próprias equivocadas, que é o corpo físico. Se ela tem um corpo masculino, ela pensa que é um homem, quando ela tem um corpo feminino ela pensa que é uma mulher. Este falso ego é extremamente difícil de superar. Como ele irá embora? É dito que Sri Caitanya Mahaprabhu tem 3 ½ associados íntimos – Sri Svarupa Damodara, Sri Raya Ramananda, Sri Sikhi Mahiti e Srimati Madhavi devi. Svarupa Damodara, Raya Ramananda e sikhi Mahiti tinham todos formas de homens mas Madhavi tinha uma forma feminina. Vemos que Madhavi não vinha a ser muito íntima de Sriman Mahaprabhu e associava-se com Ele da mesma maneira que Svarupa Damodara e Raya Ramananda. Por quê? Por causa de sua concepção de masculino e feminino. Madhavi devi não tinha o falso ego de ser uma senhora, mas ela tinha uma forma de mulher, e externamente mantinha muito respeitoso procedimento com Sri Caitanya Mahaprabhu – uma distância. Deveríamos tentar seguir o exemplo dela e observar a etiqueta apropriada. Ir e ouvir. Aqueles que são seniors podem entender, e eles deveriam seguir Madhavi devi e Svarupa Damodara. Caitanya Mahaprabhu deu as instruções acima no verso mencionado para todas as jivas deste mundo, de Sua própria boca de lótus. Ele disse que em sua pura identidade, a entidade viva é gopi-bhartuh pada- kamalayor dasa-dasanudah. Ele é o servo do servo do servo de gopi- bhartuh. Aqui gopi-bhartuh significa prana-vallabha, o muito amado querido, a vida e alma das gopis – este mesmo Krsna. Neste mundo a jiva realiza karma (atividades) e como resultado destas atividades samskaras (impressões) se desenvolvem. Então, na base de seus samskaras, a jiva desenvolve desejos. Que tipos de desejos? "Irei me casar". Ou, "Esta pessoa é meu inimigo. Irei destruí-lo." Estas impressões são carregadas conosco nascimento após nascimento, vida após vida. Sejam muito cuidadosos. Não veja ninguém como seu inimigo. Por quê? Se o humor vem de que alguém é seu inimigo, este é seu karma phal, o fruto de suas atividades prévias. Deveríamos por esta razão, não usar qualquer malícia em direção alguém ou desrespeitar ninguém. Deste modo na base de seu karma, a entidade viva desenvolve várias impressões e desejos, enquanto se move através do mundo material numa cadeia interminável de nascimentos e mortes. Isto é chamado karma-chakra. Como pode a entidade viva vir deste karma-cakra? Ela terá que tomar refúgio de um Guru puro que seja muito esperto em todos os sastras, que seja tattva-vit (estabelecido em conhecimento de todas as verdades filosóficas), e rasika (esperto em apreciar a doçura do serviço nos passatempos de Krsna). Depois, dele tomar o refúgio de tal pessoa, então "ceto darpana marjanam" gradualmente desenvolve-se por sua realização em sadhana-bhajana. O espelho de seu coração lentamente torna-se limpo e ele começa a ter a realização de sua identidade pura. Sua identificação material o deixará e ele alçançará sua própria forma espiritual que é satisfatória ao oferecer serviço aos pés de Sri Krsna. Ele alcançará sua sambandha (relação), rupa (forma), ajna (instrução especifica), seva, e todos outros ítems de perfeição. Ele ira através de panca- dasa (cinco estágios) em direção a alcançar svarupa-siddhi (maturidade em bhava-bhakti) e vastu-siddhi (prema-bhakti). Não se deve prematuramente pensar, "Eu sou um gop a" ou "eu sou uma gopi". Este estágio de realização surgirá sozinho, naturalmente, por oferecer serviço e cantar harinama sob a guia de um guru qualificado. Qual é o gênero da jiva? Realmente, toda jiva é prakrti, feminina, em relação a Krsna. Ate mesmo no mundo espiritual, os eternos associados de Krsna, que não estão na categoria da jiva, tais como Nanda baba, Subala e todos os seus amigos são femininos do ponto de vista de tattva, mesmo embora elas sejam vistas com aparência masculina. Realmente, todos são femininos. A explanação é que as entidades vivas não são aspectos de uma forma pela qual possa ser identificado como masculino ou feminino. Antes, quando a forma espiritual de alguém é alcançada, sua svabhava, pura natureza eterna, manifesta- se. Esta natureza é seva-lalasa – ter o desejo de oferecer serviço. Quando alguém tem avidez de oferecer serviço de uma maneira particular – como um pai ou um amigo – então automaticamente, po r sua natureza, ele adota a apropriada conduta. Sua forma é a personificação desta tendência de serviço. Realmente a entidade viva não tem identidade masculina ou feminina, mas ela adota uma conduta de acordo com seu seva-vrtti, tendência intrínseca para servir. Aqui, no mundo material, mesmo embora todas as entidades vivas sejam prakrtis, feminina em relação a Krsna, todos tem Purusa-bhava. Ele pensa, "Sou o desfrutador. Sou o controlador." Aquelas que são masculinas tem Purusa –bhava e aquelas que são femininas tem purusa- bhava, também. Quando os desejos transcendentais para servir Krsna em sua siddha- svarupa, forma transcendental, desperta automaticamente, os devotos começam a meditar continuamente no seu humor eterno. Por meditar continuamente ele alcança tadatmya, ou unidade com este humor. Srila Raghunatha Gosvami é um exemplo disto. Ele está cantando harinama e está profundamente absorto em seu humor interno. Quando ele entra completamente no humor interno, ele não pode lembrar-se de qualquer coisa mais. Ele não tem idéia que ele é Raghunatha dasa Gosvami. Ele sente completamente, "Sou uma criada de Srimati Radhika. Sou Rati Manjari." Como tudo isso acontecerá? Isto tudo acontecerá por arranjo de Yogamaya, a lila-sakti de Sri Krsna ( passatempos de potência). É declarado no Prema bhakti Candrika de Srila narottama dasa Thakura:
sadhana bhaviba yaha siddha-dehe paba taha pakvapakva matra se vicara
O desejo que alguém tem durante o estágio de sadhana irá determinar seu siddha-deha, forma espiritual perfeita. A diferença entre o estagio de sadhana e o estágio de siddhi perfeição, é somente "pakva- apakva matra se vicara. "No estágio de sadhana, sua realização não é madura e no estágio de siddhi ela torna-se madura. O quanto alguém deseja no estado de sadhana, tanto alcançará esta situação no estágio de siddhi. Em outras palavras, a svarup a (forma constitucional) da jiva está eternamente presente dentro dele, e irá gradualmente manifestar-se pela prática de sadhana-bhajana. O que está presente em potencial deve-se manifestar. Primeiro, uma avidez virá. Então, quando rati ou bhava se manifestarem, o devoto irá sempre se lembrar de seu siddha-deha. O tipo de sadhana (prática) descrita aqui é de um nível muito elevado. Este sadhana, está no estágio em que as entidades vivas não estão mais encobertas por coisas indesejáveis. Os devotos no estágio de sadhana puro têm um desejo muito forte, e de acordo com este desejo, ele alcançará o siddhi. Esta é somente uma diferença entre estágios maduro e imaturo. Sadhana é um estágio imaturo e siddhi é o estágio maduro. No verso acima mencionado falado por Sri Caitanya Mahaprabhu, a palavra dasa-dasanudasa tem um significado muito profundo. Ele indica que sem estar sob a guia e seguir os pés das gopis de Vraja, ninguém pode se torna r elegível para madhura-seva, o serviço doce de Sri Sri Radha e Krsna em Vrndavana. As manjaris – Rupa Manjari e Rati manjari e outros – estão sob a guia das sakhis como Lalita e Visakha. Deveríamos tentar seguir nosso Gurudeva sob a guia de Rupa Manjari e Rati Manjari, sob as ordens de Lalita e Visakha. Como isto é feito? De manhã a manhã, o devoto está cantando e se lembrando- de manhã cedo, e todos os dias e todas as noites até a manhã seguinte. Ele está completamente absorto em contemplar o caminho no qual Rupa e Rati Manjaris estão servindo Sri Srti Radha e Krsna, sob as ordens de Lalita e Visakha. Desta maneira madhura-bhava pode ser alcançada, e este processo é chamado raga-marga. Srila Raghunatha dasa Gosvami seguiu esta raga-marga. Ele estava adorando Govardhana-sila, mas ele não adorava em arcana-marga, o processo de seguir todas as regras e regulações prescritas para a adoração da deidade. Antes, seu serviço para Govardha na-sila estava em raga-marga. Se alguém seguir este método poderá alcançar a perfeição. Alguém não será capaz de superar a concepção de ser homem ou mulher simplesmente por seguir arcana-marga. O corpo do sadhaka está presente, mas ele segue as gopis de Vraja no humor interno. Alguém deveria ser muito cuidadoso para jamais pensar, "Eu sou Lalita sakhi"ou "Eu sou Visakha Sakhi ou Rupa Manjari". Deve-se tentar seguir, então, e serví-los. Em Navadvipa- dhama, no Radha-kunda em Vrndavana, e em alguns outros lugares vemos que algumas pessoas não seguem apropriadamente. Eles vestem-se como gopis, usando roupas e ornamentos como mulheres. Isto não tem absolutamente significado nenhum. Eles não precisam deixar as roupas masculinas, antes deveriam deixar a concepção de serem homens Não encontramos Srila Rupa Gosvamipada ou qualquer de nossos Gosvamis vestidos em vestuário feminino. Não há necessidade de mostrar a forma feminina ou humor externamen te. Se alguém fizer isto, sua bhakti será arruinada. A entidade viva jamais poderá se tornar Srimati Radhika, Lalita, Visakha ou qualquer das outras associadas especificas de Sri Sri Radha e Krsna. Estes associados não são jiva-tattva, mas são a direta kaya-vyuha rupa (manifestação corpórea direta) da própria Srimati Radhika. Aqueles sadhakas que seguem o real processo de puro sadhana aceitarão parodha-abhimana no momento de sua prática. Parodha-abhimana significa a concepção que "Não sou casado com alguém que não seja Krsna". E, nasci em Vraja do ventre de uma gopi. Fui dada em casamento a um gopa. Sou uma kisori, uma jovem muito doce sem qualquer filho gerado." Srila Bhaktivinoda Thakura orou: "vraja-gopi-bhava, haibe svabhava, ana-bhava na rahibe – quando virá o dia em que o humor de ser uma gopi será meu humor exclusivo e eu não terei qualquer outro tipo de sentimento?" Este processo tem sido descrito por Srila Rupa Gosvamipada em seu Bhakti-Rasamrta-Sindhu no verso:
seva sekara-rupena suddha-rupena catra hi tad-bhava-lipsuna karya vraja-lokanusaratah
["No reino transcendental de Vraja [Vraja-dhama] alguém deve servir o Senhor Supremo, Sri Krsna, com um sentimento similar ao de Seus associados e deve-se colocar sob a guia direta de associados particulares de Krsna e seguir seus passos. Este método é aplicável em ambos, tanto no estágio de sadhana (pratica espiritual executada durante o estágio de condicionamento) quanto no estágio de sadhya (realização de Deus), quando alguém é uma alma espiritualmente perfeita."] Aqui está claramente declarado que o sadhaka-rupa (a forma externa do devoto praticante) e os siddha-rupa (a forma interna que serve Radha-Krsna nos bosques de Sri Vrndavana ) são completamente diferentes, e as respectivas práticas adotadas por estas formas são completamente diferentes. O seva sadhaka-rupena significa que em al guma forma como um devoto praticante alguém deveria seguir a conduta de Srila Rupa Gosvami, Srila Sanatana Gosvami e outros por muito, cuidadosamente, ocuparem-se em sravana, kirtana, smaranam (ouvir, cantar e lembrar-se) e os outros membros de bhakti. Os outros aspectos de raga-marga sadhana são siddha-rupena catra hi. Por siddha-rupa, o corpo internamente concebido pelo qual é apropriado oferecer serviço a Radha e Krsna, alguém deveria fazer bhava-mayi seva, serviço nos humores transcendentais. Neste verso as palavras vraja-lokanusaratah significam que alguém deveria seguir os residentes de Vraja. Isto significa especialmente seguir as práticas que foram realizadas por Srila Rupa e Sanatana Gosvamipada quando eles foram residentes aqui e realizaram sadhana em Vraja.
Conselheiros Editoriais: Pujyapada Madhava Maharaja e Sripad Brajanatha dasa Tradutor: Sripad Aranya Maharaja Editora assistente: Syamarani dasi Digitação: Anita dasi Tradução: Govinda dasi Revisão: Ranganatha dasa
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quinta-feira, 27 de outubro de 2011
COMO PRATICAR RAGANUGA-BHAKTI
SERVIÇO DEVOCIONAL
(Palestra de Hari Priya dasi)
Sri Sri Gauranga Radha Govinda Math
São Paulo, 31 de março de 2004
No caso a devoção para se chegar em consciência de Krsna, a nossa
meta é muito elevada. Sri Rupa Gosvamipada escreve no Sri Bhakti-
rasamrta sindhu um verso que fala que há dois caminhos para que
possamos entrar no caminho da devoção profundamente, há dois
caminhos: ´iste svarasiki raga param avistita bhavet´. Primeiramente
devemos ter um amor espontâneo, uma vontade
espontânea para servir a Suprema Personalidade de Deus. E, também
devemos estar completamente absortos no serviço prático ao Senhor.
Assim, ele deu dois critérios: este amor espontâneo e o serviço
completamente absorto. Mas, no nosso estágio de consciência o que
podemos fazer? Nós não somos tão avançados, a nossa mente sempre
esta indo aqui e ali, em todo local, perdendo tanto tempo em estudos
materiais e fazendo tantas outras coisas. É tudo tão diferente das
escrituras que diz que nós temos que nos absorver vinte e quatro
horas por dia neste processo. Estamos um pouco longe disto, então o
que fazer?
Nas escrituras existe o exemplo de um rei, o seu nome é Ambarisa
Maharaja e o nome do seu pai era Ambava Maharaja, ele era um rei.
Ambarisa Maharaja estava junto com seus outros irmãos no gurukula
(escola). O que eles estudavam nesta escola? O que eles aprenderam
depois que voltaram para o reinado de seu pai? Depois que eles
passaram por estes estudos e voltaram para o reinado, pensaram em
dividir o reinado do pai em várias partes, dividir as
responsabilidades e cada um cuidar de sua parte. Quando todos os
irmãos se reuniram para dividir o reinado, fizeram a divisão do
reinado, mas pensaram em não darem nada para Ambarisa Maharaja, pois
ele era um brahmacary. "Ele é muito estrito em sua devoção. Por ser
muito firme neste caminho, ele não vai querer nenhuma parte se
quisermos dar, então é melhor fazer a divisão e não colocar o nome
dele", eles pensaram. Um dia o pai deles voltou para o reinado, e
observou que seus filhos haviam dividido todo o reinado e estavam
brincando com Ambarisa Maharaja: "Ó, você não tem nenhum reinado,
então você pode ficar com nosso pai". Assim, neste momento Ambarisa
Maharaja ficou muito irado. Deste modo, junto com Angira Rsi ele
resolveu fazer um sacrifício de fogo, pois estava com muita raiva.
Mas, o pai dele o avisou que no sexto dia de sacrifício, o sacerdote
iria esquecer os mantras, e o aconselhou a ir lá e lembrá-lo dos
mantras. No sexto dia, ele foi até o local onde estava ocorrendo o
sacrifício e ele lembrou os sadhus que estavam lá, de seus mantras.
E as pessoas ficaram tão satisfeitas que o presentearam com jóias e
presentes. Neste momento um cachorro chegou por lá e, esta
personalidade num corpo de cachorro falou: "Estas jóias e
preciosidades são todas de minha propriedade". Esta personalidade
era o Senhor Siva na forma de cachorro, porque o sacrifício de fogo
estava sendo preparado para Ele. Então, devido ao fato de que tudo
havia sido oferecido a ele, então ele foi lá cobrar: "Vocês fizeram
todo este sacrifício para mim e agora estão dando os meus
pertences". Então, Ambarisa Maharaja que recebeu os presentes
devolveu-os novamente para Siva. Após o que, o Senhor Siva lhe deu
uma benção: "Que você tenha todo o conhecimento transcendental".
Quem é o senhor Siva? Ele é conhecido como o Vaisnava mais elevado.
Ambarisa Maharaja recebeu todo o conhecimento transcendental, assim,
tendo tanto conhecimento transcendental ele teve controle de muita
riqueza. E, com todo este conhecimento estava administrando muitos
planetas, devido a estas bênçãos e aos poderes que ele recebeu,
estava sempre absorto na Suprema Personalidade de Deus. Estava
sempre ocupado em servir o Senhor. E, como ele estava engajado em
servir o Senhor? Ele usava sua mente para sempre meditar nos
passatempos do Senhor; com a fala sempre glorificava as glórias do
Senhor Supremo; usava suas mãos para sempre limpar o templo; com
seus olhos sempre estava tendo darshana e vendo as formas das
deidades e, com seus olhos ainda, estava sempre olhando para
outros devotos; com seu tato sempre se ocupava em tocar os pés de
lótus dos devotos; com a sua capacidade de olfato estava sempre
sentindo o aroma das flores que eram oferecidas as deidades; e, com
seus pés fazia parikrama, circundando os locais sagrados.
Qual é o signficado de parikrama? Pari significa todo, e krama
significa degrau. Então, parikrama significa todo degrau ou passo,
ou o que devemos fazer a cada passo. Então, a cada passo devemos
estar procurando por Krsna.
Quando vamos ao parikrama de Vrajamandala, sentamos numa floresta
chamada Lauhavan, uma das doze florestas que lá existem. E, Gurudeva
não esteve junto conosco o ano passado, ele voltou um pouco antes
para o templo, mais cedo. Mas, junto conosco, neste local, havia
muitos sannyasis e brahmacaris muito qualificados. Então, quando
chegaram os doze ônibus repletos de devotos, eles começaram a sair,
eram muitos e muitos devotos e todos eles começaram a andar por este
local chamado Lauhavan. Alguns estavam brincando e dando risada,
outros bebendo a água do lago, e alguns outros estavam sentados em
pequenos grupos. Neste momento, Sripad Vana Maharaja começou a
falar. Ele fez uma pergunta para todos: "Vocês sabem o significado
de parikrama? Parikrama significa a cada passo. Significa que
estamos procurando por Krsna a cada passo".
Então, quando vamos ao parikrama de Vrajamandala temos que ter este
humor de estar procurando: "Onde está Krsna? ... Estará ali ou lá?
Sempre temos que estar procurando por Krsna. Se fizermos um
parikrama e não encontrarmos com Krsna, devemos dormir com a
esperança de que amanhã o encontraremos em algum local. Na verdade,
quando saímos para parikrama, na realidade saímos para procurar
Krsna.
Assim, Ambarisa Maharaja estava sempre fazendo parikrama com este
humor. Para que ele usava sua cabeça? Para prestar reverências às
deidades e aos outros devotos. Quando abaixamos nossas cabeças em
relação a outro devoto, qual é o significado deste ato? O sentido
simbólico é que, estamos tentando abandonar nosso falso ego e nos
tornar devotos humildes. Assim, nama significa abandonar, deixar...
Quando abaixamos a cabeça, estamos tentando deixar nosso orgulho e
desenvolvendo pura humildade. Por exemplo, quando estamos tomando
darsana (a visão das deidades), na verdade, quem está tomando
darsana? Estamos tomando darsana mas, podemos ver Sri Sri Radha
Govinda? Eles podem nos ver, nós não somos cegos, mas não podemos
ver o Senhor.
Quando chegamos a prestar reverências não devemos prestar de frente
por exemplo. Repare que prestamos reverências com o nosso lado
esquerdo voltado para as deidades. Porque o lado esquerdo é o lado
do serviço e porque o servo sempre fica do lado esquerdo. Então,
desta forma, prestamos reverências voltando nosso lado esquerdo para
as deidades, para que o Senhor Supremo possa nos ver de forma
clara. Se prestarmos reverências de frente, ele não poderá nos ver
de forma clara.
Ambarisa Maharaja conseguiu engajar todos os sentidos no serviço
devocional. Independente do quanto seja difícil de viver nesta
vida material, primeiramente, antes de cada ato, devemos
pensar: "será que este ato que vou fazer é serviço devocional ?"
Talvez isto não seja serviço devocional. Tudo bem pode não ser ,
mas: "será que isto é favorável ao meu serviço devocional ?" Então,
depois de pensar e analisar você deve abandonar esta atividade: "Não
vou agir desta forma". No entanto, Ambarisa Maharaja tinha um reino
muito vasto. Ele era muito rico e poderoso, podia ter qualquer coisa
que quisesse, não precisava pedir nada para ninguém. Mesmo tendo
tantas coisas para ele, ainda assim ele era o rei de seus sentidos,
ele estava reinando os seus próprios sentidos, pois teve este poder
e não usava para nenhum tipo de gratificação de seus sentidos, ele
sempre estava direcionando seus sentidos para serviço devocional.
Quando entramos neste caminho, podemos usar nossos sentidos como um
escudo, colocando-o a nossa frente.
Diz um ditado popular que "a mente vazia é a oficina do diabo", se a
mantivermos vazia, durante todo o dia. Então, o serviço da mente
será nos distrair a cada momento. A mente está sempre aceitando ou
rejeitando algo. Devido a sua função, ela aceita o desfrute material
sempre e rejeita o que não vai dar desfrute aos sentidos. Mas, a
mente é muito sutil. Então, subconscientemente podemos não perceber
mas, a nossa mente esta sempre falando alto, podemos estar
profundamente controlando nossa mente, se usarmos os pés, as mãos,
os olhos, a cabeça, tudo em serviço devocional, então, facilmente a
mente será derrotada. Assim estaremos tão ocupados que se a mente
pedir algo, podemos dizer: "Estou muito ocupado em serviço
devocional que não vai dar tempo de fazer nada". Então, foi neste
humor que Sri Raghunatha das escreveu seu Sri Mana-siksa. Neste
primeiro verso do Sri Mana-siksa ele fala:
gaurau gosthe gosalaysu sujante bhsura-gane
sva-mantre Sri-namni Vraja-nava-yuva-dvandva sarane
sada dambham hitva kuru ratim apurvam atitara
maye svantar bhratas catubhir abhiyace dhrta-padah
"Ó minha querida irmã, minha mente tola! Agarrando aos seus pés, oro
humildemente com palavras doces. Por favor, abandone todo o orgulho
e desenvolva rati sublime e incessante por Sri Gurudeva, Sri
Vrajadhama, pelos residentes de Vraja, pelo seu diksa-mantra, pelos
sagrados Santos Nomes do Senhor e pelo abrigo em Kisora Kisori, Sri
Sri Radha Krsna, o eternamente jovial casal divino de Vraja."
Então, desta forma, Raghunatha das Gosvami, esta orando e
conversando com sua mente. Você deve ter apurva-rati, apurva
significa único, sem precedentes. Devemos ter este apego sem
precedentes, não simplesmente um apego qualquer. Assim, quando ele
está conversando com a mente, ele esta falando sobre um apego que
jamais ocorreu, mas um apego que você nunca sentiu. Então, todos nós
temos a potência de desenvolver este apego único. Porque todos temos
uma identidade espiritual. Da mesma maneira que eu e você somos
diferentes, da mesma forma, a nossa alma tem uma identidade
diferente, nem tudo é igual. Todos nós temos a capacidade de
desenvolver este apego sem precedentes pelo Senhor Supremo, mas onde
é que este apego começa? Gaurau gosthe gosalaysu sujante bhsura-
gane... Primeiro em Sri Gurudeva. Se conseguirmos nesta vida
desenvolver um apego sem precendentes por Sri Guru, podemos realizar
que nesta vida já conseguimos muito. Sabendo ou não sabendo, Srila
Gurudeva está nos ocupando em muitos tipos de serviço. Sem este seva
que ele nos dá, iríamos estar numa situação muito perigosa,
desfavorável. Seva, serviço não significa simplesmente varrer o
templo. Também não significa pegar as suas contas e ficar cantando
o "Hare Krsna" maha-mantra. Quando ele (o Guru) nos ordena a cantar
este "Hare Krsna" maha mantra, aí é serviço. O seva pode significar
você falar para outra pessoa de Krsna. Tem muitos tipos de serviço
em que Srila Gurudeva está nos ocupando. Primeiramente, devemos usar
este corpo grosseiro em serviço. Somente através do corpo grosseiro
é que o corpo sutil poderá ser subjugado. Desta forma, Ambarisa
Maharaja está nos ensinando através de seu exemplo como ocuparmos
mente e palavras no serviço do Senhor Supremo. É comum que achemos
que este passo da devoção seja muito difícil. Na verdade, não é
difícil. Não obstante, nossa mente é tão malandra: "'Oh Hari Priya,
este caminho da devoção é muito difícil eu vou lhe falar agora! Eu
sei que é tão difícil, preste atenção!" Desta forma a mente está
sempre falando, como uma pessoa sempre no nosso ouvido, o dia
inteiro emitindo sua opinião. Imagine esta figura dando a opinião
dela 24 horas por dia na sua orelha? Aí, o que você faz para esta
pessoa ficar quieta? Você diz que vai concordar, mas que por favor,
que ela lhe abandone. Então, desta forma nossa mente está falando
para nós: "Este passo da devoção é tão complicado, tão difícil..."
Mas, e se tamparmos o ouvido e sairmos correndo? Quer dizer que a
gente abandonou esta coisa? Não, temos que sair e nos ocupar em
algum seva. Devemos sempre lembrar que a nossa associação com
outros devotos é muito importante, irmãos e irmãs espirituais em
serviço, é como um grande escudo. É como se estivéssemos vestindo um
colete a prova de balas. Sem estas coisas, sempre estaremos sendo
atacados pela loucura, ilusão, entre outras coisas. Se uma pessoa
leva um tiro ela pode sobreviver. Mas se ela leva dois, três ou
muitos, com muita sorte ela pode sobreviver. Mas, não é garantido
que com um tiro alguém possa sobreviver. Então, temos que ser mais
espertos e usarmos sempre um colete a prova de balas, na forma desta
mentalidade de sempre estar servindo. Então, é isto que devemos
aprender de Ambarisa Maharaja. Como ele conseguia ficar dia e noite
sempre ocupando seus sentidos em serviços?
Assim, as escrituras nos aconselham a praticar nirjana-bhajam. Fazer
o serviço sozinho num lugar solitário. Mas, qual é o significado
profundo desta palavra nirjana, nir significa sem, jana pessoas
materialistas, sem a associação de pessoas materialistas, nivrti
significa não fazer alguma coisa, quando você não faz uma coisa
então existe o outro lado da moeda. Neste caso se você não faz algo
precisa fazer algo, se você não se associa com pessoas
materialistas, você se associa com algum devoto. Este nirjana num
sentido profundo significa se associar com devotos, com pessoas que
estão no caminho da devoção. Ambarisa Maharaja nos dá um exemplo tão
bom de praticar este processo de bhakti através de suas próprias
atividades.
Devemos orar para que se a nossa mente não estiver sobre controle,
então na nossa oração, possamos estar ocupados no serviço de Hari,
Guru e Vaisnavas. Assim, lentamente, orando desta forma a nossa
mente será controlada.
Gaura premanande!
Tradução simultânea: Nanda Gopal das
Transcrição e digitação: Govinda dasi
Revisão: Madhvacarya das
Manasi Ganga e o Segredo de Giriraja Govardhana

Tridandisvami Srimad Bhaktivedanta Narayana Maharaja
Govardhana, Índia: 3 de Novembro de 2002
Govardhana, Índia: 3 de Novembro de 2002
[Esta palestra no Manasi Ganga, de Paramaradya Srila Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja, deu início ao parikrama de Govardhana no Festival de Kartika deste ano em Vrndavana. Embora , Srila Maharaja tenha recibo ordem médica, de seus médicos, para restringir seus discursos e outras atividades, ele surpreendeu à todos ao comparecer ao Manasi Ganga para dar início ao parikrama. Srila Maharaja chegou, ali, as 7:30 e realizou uma cerimônia de banho primorosa da enorme Govardhana-sila, diante de um público de 800 devotos. Ele banhou a Deidade com panchamrta (cinco substâncias nectáreas: leite, iogurte, ghee, açúcar e mel) e secou-a com um tecido novo. Depois, ele decorou Sri Govardhana-sila com pó de kunkuma vermelho vivo, e Lhe vestiu com uma roupa de algodão leve e um manto marrom de lã, depois colocou uma guirlanda colorida ao redor de seu corpo e folhas sagradas de Tulasi em seus pés. Posteriormente, ofereceu caixas de doces e um coco decorado com kunkuma, a swastika Védica e pétalas de rosas. Logo após, liderou um grupo enorme de kirtana ao circungirar o templo desta Govardhana-sila e após deu uma pequena palestra no grande pátio do templo. Nesta palestra, ele revela a identidade de Sri Giriraja Govardhana. -ed] Viemos, aqui, para Manasi Ganga, que é como a boca de Sri Giriraja Govardhana. Sua forma assemelha-se a uma vaca, ou a um pavão e a extremidade inferior em Puchari (ou Punchari), são como as penas do pavão erguida ou como a anca de uma vaca. Nesta extremidade, estão Radha Kunda e Syama Kunda, os quais são como os olhos do pavão. Algumas vezes, quando um pavão está dançando, ele ergue suas costas tão alta e dobra graciosamente o dorso de seu longo pescoço em direção ao estômago, este estômago é a localização da cidade de Govardhana. Agora, o local onde estamos situados, Mukharavinda (Sua face de lótus), é na margem setentrional do Manasi Ganga. Com o objetivo de obter a misericórdia de Giriraj Govardhana, realizamos o nosso puja e oferecemos mahaprasadam, aqui, e Ele tem aceitado isto. Quem é Giriraja Govardhana? Eu irei lhes contar brevemente quem ele é, e como veio para Vrndavana. Hanuman e os outros macacos receberam a instrução do Senhor Ramacandra para fazer uma ponte em Sri Lanka. Rama enviou todos os macacos para coletarem pedras enormes por toda a Índia. Hanuman pulou dali para os Himalayas, onde ele viu uma pequena montanha, e àquela era Giriraja, o bebê de Dronacala. Ele pegou Giriraja e colocou em suas costas, lançou-se ao céu, e o carregou para o oceano. Como ele estava passando sobre Vrndavana, Rama lhe disse, "A ponte já está completa, assim não há necessidade de trazer esta montanha; deixe-a onde você está." Giriraja Maharaja sabia que em Dvarapa-yuga, Krsna iria vir com Srimati Radhika, as gopis, e com todas as Suas potências, e ele teve muito sorte por ter sido deixado em Vrndavana. Há muitos lilas, e nós iremos explicá-los durante a aula desta tarde, conforme a seqüência do parikrama. Agora, eu quero compartilhar com vocês um segredo sobre Giriraja Govardhana. Sri Sri Radha-Krsna e as gopis realizaram rahasya-purna, doces passatempos confidenciais em "kandare kandare" (muitas cavernas) de Govardhana. Embora, vocês não possam vê-las, Há muitas belas cavernas e kunjas (bosques) em todo lugar em Giriraja Govardhana , e Giriraja testemunha todos estes doces passatempos de Sri Sri Radha-Krsna e das gopis , ali. Mesmo Shankara, em sua forma masculina, não pode entrar nos bosques e testemunhar tal passatempo confidencial, então, se Giriraja Govardhana tivesse a forma masculina, também não seria capaz de testemunhá-los. Os kunjas de Giriraja Govardhana são os lugares onde todos os mais secretos lilas procedem, assim Giriraja surge do coração de Radhika, para servi-La. Sua verdadeira identidade deve ser Haridasi-varyari (a melhos das servas de Hari), na forma feminina. Ele não é verdadeiramente Haridasa-varya (o melhor dos servos de Hari), uma forma masculina. Ele pode ter, também, a forma de uma gopi nos doces passatempos de Sri Sri Radha-Krsna Yugala.
Sri Giriraja Govardhana ki jaya!
Manasi Ganga And The Secret Of Giriraja Govardhana
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sexta-feira, 21 de outubro de 2011
COMO EXECUTAR PROFUNDAMENTE O ARATI
Tridandisvami Sri Srimad Bhaktivedanta Narayana Maharaja
Badger, California: 1997 (parte 1)
[Através da misericórdia de Krsna, nos foi dada recentemente uma fita cassete com a gravação de um discurso proferido na casa de Sripad Nirguna dasa Adhikari. Embora essa seja uma das mais antigas aulas dadas por Srila Narayana Maharaja em suas turnês mundiais de pregação, é muito apropriada nesse presente momento dourado:]
Vocês deverão adicionar algo em seu sadhana-bhajana. Tentem seguir as instruções dadas no livro Hari bhakti-vilasa, pois todas as regras podem ser encontradas lá. Há, também, para arcana (adoração formal da Deidade), um livro vindo de Sri Caitanya Mahaprabhu através de Sri Vakresvara Pandita e Sri Gopala-guru Gosvami, e depois através do discípulo de Gopala-guru Gosvami, Sri Dhyanacandra Gosvami. Esse livro é chamado Arcana Padhati. Há dois processos de adoração à Deidade. Um é chamado de bhava-marga (o caminho da devoção espontânea ou raganuga-bhakti) e o outro é chamado arcana-marga (o caminho das regras e regulações escriturais formais, ou vaidhi-bhakti). Arcana-marga existe desde os tempos antigos. Sri Caitanya Mahaprabhu veio especialmente para dar bhava-marga, mas Ele ensinou aqueles que ainda não são qualificados a seguir vaidhi-bhakti, e em vaidhi-bhakti, arcana também deve ser feita. Arcana não é executada por especulação mental ou imaginação, “Isso é bom e isso é ruim”. Vocês deverão seguir as injunções do Hari-bhakti vilasa e outros livros autorizados. Se vocês estiverem executando arati, devem cantar o kirtana do arati. Se estiverem executando arati de Gurudeva, devem cantar a canção do arati de Gurudeva. Se estiverem executando arati de Mahaprabhu, devem cantar Sri Gaura-Arati: “Jaya jaya goracandera aratiko sobha.” Se estiverem executando arati de Radha-Krsna, devem cantar o kirtana de Radha Krsna, Sri Yugala Arati: “Jaya jaya radha-krsna yugala milana.” Se vocês não cantarem essas canções, algo faltará na sua adoração. Devemos fazer isso; não leva muito tempo, e vejo que vocês costumavam passar uma hora fazendo o arati. Vocês podem ajustar, se quiserem. E aqueles me seguem, devem certamente fazer dessa forma. Vocês se lembram do kirtana: “Jaya jaya radha-krsna yugala milana”? Radha e Krsna são o divino casal lá. “Arati koroye lalitadi sakhi-gana” Vocês devem perceber: quem está fazendo o arati? É Lalita. Lalita está executando o arati; e Visaka está atrás dela, movimentando uma câmara e também fazendo kirtana junto com todas as sakis. Tungavidya está tocando mrdanga, Citra ou outra pessoa está tocando karatalas, alguém está tocando uma vina, e milhares de belíssimas sakis estão lá. Tungavidya, Citra, e todas as outras sakhis são peritas em cantar e tocar de instrumentos. O que elas estão cantando?
jaya jaya radha-krsna yugala milanaarati koroye lalitadi sakhi-gana
[”Todas as glórias, todas as glórias ao encontro amoroso de Sri Radha e Krsna! Todas as sakhis, lideradas por Lalita e seu grupo, executam arati para o Seu prazer.” (Sri Yugala-Arati verso 1)]
madana-mohana-rupa tri-bhanga sundara pitambara sikhi-puccha-cuda manohara
[”Em Sua bela forma madana-mohana que se curva em três pontos, Ele é tão atraente até para Cupido. Com Seu dhoti de seda amarela e coroa decorada com penas de pavão, Ele cativa as mentes de todos”. (verso 2) ]
Krsna está em tri-bhanga sundara. Ele está inclinado em três lugares e está muito belo com Sua flauta, pena de pavão, e vana-mala (guirlanda de flores da floresta), e Ele olha afeicionadamente na direção de Srimati Radhika e sorri. “Madana-mohana.” Se qualquer um O vir, e se até mesmo Kamadeva O vir, esta pessoa se encantará. “Pitambara.” Devemos tentar dar uma pitambara (xale ou veste amarela) para a Deidade de Krsna.
lalita-madhava-bame vrsbhanu-kanya nila-vasana gauri rupe gune dhanya
[”À esquerda do amoroso e encantador Sri Madhava está a bela filha do Rei Vrsabhanu, Srimati Radhika, vestida com um sari da cor do lótus azul. Sua tez é da cor do ouro derretido e Sua beleza e qualidades são inigualáveis “(verso 3)]
“Vrsabhanu-kanya.” Srimati Radhika está ao lado esquerdo de Krsna. “Lalita-Madhava.” Essa palavra foi explicada no Sri Ujjvala-nilamani. Quem é Madhava? Ele é lalita, extremamente belo e brincalhão. Ele nunca fica ou se senta com Srimati Radhika como faz com Yasoda-maiya, Nanda Baba, ou os sakhas. Lalita-Madhava está lá com Srimati Radhika, e neste momento Srimati Radhika é chamada Madhavi, Lalita- Madhavi.
Há muitas explicações para a palavra lalita. Krsna é o único lalita-nayaka ou dhira-lalita (dhira-lalita é a Pessoa brincalhona que pode manter Sua namorada sempre subjulgada com Suas diferentes qualidades). Krsna na forma de Rama não é lalita, como Dvarakadhisa Ele não é lalita, como Vaikuntha-pati Ele não é lalita, como Subal-sakha Ele não é lalita, e como o filho de Yasoda Ele não é lalita. Lalita é Aquele que fica ao lado esquerdo de Srimati Radhika, e por perto estão Lalita-devi, Visakha, Citra, Campakalata, Indulekha, Rangadevi, Sudevi, Rupa Manjari, Rati Manjari, e Lavanga Manjari, ali Ele pode ser lalita. Ao cantar essa canção, muitos pensamentos e humores virão, e vocês sentirão como se estivessem Os vendo com Lalita executando Seu arati arati. Por que Srimati Radhika é referida como Vrsabhanu-kanya? Por que não Kirtika -kanya? É porque ela é especialmente amada por Seu pai, muito mais que por Sua mãe. Ela não veio do ventre de Kirtika; na verdade ela estava flutuando sobre uma flor de lótus no Yamuna . Ela aparece de diferentes formas, em diferentes lugares e em diferentes kalpas (milênios). Em um kalpa diferente Ela apareceu do ventre de Kirtika-devi, mas de qualquer modo, Seu pai A ama mais que Sua mãe. Diferentemente, Krsna é amado muito mais por Mãe Yasoda do que por Nanda Baba. Nanda Baba também O ama, mas Mãe Yasoda O ama muito mais. Com Srimati Radhika, é o oposto. ”Nila-vasana” significa que Radhika tomou a cor de Madana-mohana Krsna e Se vestiu com essa cor.
nana-vidha alankara kore jhalamalahari-mano-vimohanavadana ujjvala
[”Ela está adornada com vários ornamentos cintilantes e tremeluzentes (alankaras), encantando a mente de Hari com Sua face radiante.” (verso 4)]
Ela veste muitas variedades de ornamentos, e foi decorada pelo próprio Krsna. Lalita diz a Krsna, “Ó, você não sabe como decorá-la!”, e levemente O empurra com seu cotovelo. Então Krsna diz, “Você não sabe, Eu sei mais”. Eles estão brigando e Srimati está rindo. ”Hari-mano-vimohana.” Srimati Radhika é aquela à qual Krsna dá Seu coração. Ela pega Seu coração.
Visakhadi sakhi-gana nana rage gaya Priya-narma-sakhi jata camara dhulaya
[”Visakha lidera todas as sakhis em cantar várias ragas (canções melodiosas de acordo com a hora apropriada do dia), enquanto todas as outras priya-narma-sakhis aliviam Sri Radha e Krsna com abanos camaras.” (verse 5)]
Aquelas que estão cantando e executando kirtana são Visakha, Citra, Champakalata, Rupa Manjari, Lavanga Manjari, Ananga Manjari, e tantas outras, com muitos tipos de melodias. Quem são as priya-narma sakhis? Lalita, Visakha, e depois Champakalata, e então Citra, Tungavidya, e há muitas outras. Elas estão muito belas e humildemente movimentando suas camaras. Suas posturas são tão maravilhosas que Krsna quer que elas movimentem as camaras diante Dele.
sri radha-madhava-pada-sarasija-ase bhakativinoda sakhi-pade sukhe bhase
[”Aos pés das donzelas de Vraja-dhama encontra-se um oceano de alegria. Nele Bhaktivinoda Thakura nada, esperando alcançar os pés de lótus de Sri Radhika e Madhava..” (verso 6)]
Srila Bhaktivinoda Thakura está cantando este arati kirtana de Radha e Krsna, e está orando, “sri radha-madhava-pada-sarasija ase.” Sarasija significa lótus. Os pés de Radha e Madhava são como lótus, e ele quer servir Seus pés de lótus. Enquanto o arati está acontecendo, pode-se acrescentar essas idéias para melhorar nossa Consciência de Krsna. Se vocês estão adorando Radha e Krsna e executando Seu arati, e nessa hora cantam a canção de Narahari-rupa Senhor Nrsimhadeva, “kesava dhrta-narahari-rupa jaya jagadisa hare”, qual será a utilidade? Narahari não pode ir a Vrndavana. Parama-pujapada Srila Bhaktivedanta Swami Maharaja deu esse mantra primeiramente, antes de dar os diksa-mantras de Radha e Krsna. Ele disse a seus jovens discípulos para fazer isso pensando, “De algum modo eles devem começar sua adoração.” Isso é chamado ‘coletando devotos.’ É para pessoas comuns, para gradualmente levá-las até bhakti. Aqueles que são iniciantes devem fazer assim, mas aqueles que querem avançar, devem adorar em seus quartos e em suas casas. Deixe que seja feito como está em qualquer templo, mas você, sua esposa, seus filhos e alguns raros devotos, devem tentar seguir esses outros princípios. Aí então vocês verão que tudo irá bem.
Conselho Editorial: Sripad Madhava Maharaja e Sripad Brajanatha dasa
Transcrição e Digitação: Anita dasi e Vasanti dasi
Editoração: Syamarani dasi
Badger, California: 1997 (parte 1)
[Através da misericórdia de Krsna, nos foi dada recentemente uma fita cassete com a gravação de um discurso proferido na casa de Sripad Nirguna dasa Adhikari. Embora essa seja uma das mais antigas aulas dadas por Srila Narayana Maharaja em suas turnês mundiais de pregação, é muito apropriada nesse presente momento dourado:]
Vocês deverão adicionar algo em seu sadhana-bhajana. Tentem seguir as instruções dadas no livro Hari bhakti-vilasa, pois todas as regras podem ser encontradas lá. Há, também, para arcana (adoração formal da Deidade), um livro vindo de Sri Caitanya Mahaprabhu através de Sri Vakresvara Pandita e Sri Gopala-guru Gosvami, e depois através do discípulo de Gopala-guru Gosvami, Sri Dhyanacandra Gosvami. Esse livro é chamado Arcana Padhati. Há dois processos de adoração à Deidade. Um é chamado de bhava-marga (o caminho da devoção espontânea ou raganuga-bhakti) e o outro é chamado arcana-marga (o caminho das regras e regulações escriturais formais, ou vaidhi-bhakti). Arcana-marga existe desde os tempos antigos. Sri Caitanya Mahaprabhu veio especialmente para dar bhava-marga, mas Ele ensinou aqueles que ainda não são qualificados a seguir vaidhi-bhakti, e em vaidhi-bhakti, arcana também deve ser feita. Arcana não é executada por especulação mental ou imaginação, “Isso é bom e isso é ruim”. Vocês deverão seguir as injunções do Hari-bhakti vilasa e outros livros autorizados. Se vocês estiverem executando arati, devem cantar o kirtana do arati. Se estiverem executando arati de Gurudeva, devem cantar a canção do arati de Gurudeva. Se estiverem executando arati de Mahaprabhu, devem cantar Sri Gaura-Arati: “Jaya jaya goracandera aratiko sobha.” Se estiverem executando arati de Radha-Krsna, devem cantar o kirtana de Radha Krsna, Sri Yugala Arati: “Jaya jaya radha-krsna yugala milana.” Se vocês não cantarem essas canções, algo faltará na sua adoração. Devemos fazer isso; não leva muito tempo, e vejo que vocês costumavam passar uma hora fazendo o arati. Vocês podem ajustar, se quiserem. E aqueles me seguem, devem certamente fazer dessa forma. Vocês se lembram do kirtana: “Jaya jaya radha-krsna yugala milana”? Radha e Krsna são o divino casal lá. “Arati koroye lalitadi sakhi-gana” Vocês devem perceber: quem está fazendo o arati? É Lalita. Lalita está executando o arati; e Visaka está atrás dela, movimentando uma câmara e também fazendo kirtana junto com todas as sakis. Tungavidya está tocando mrdanga, Citra ou outra pessoa está tocando karatalas, alguém está tocando uma vina, e milhares de belíssimas sakis estão lá. Tungavidya, Citra, e todas as outras sakhis são peritas em cantar e tocar de instrumentos. O que elas estão cantando?
jaya jaya radha-krsna yugala milanaarati koroye lalitadi sakhi-gana
[”Todas as glórias, todas as glórias ao encontro amoroso de Sri Radha e Krsna! Todas as sakhis, lideradas por Lalita e seu grupo, executam arati para o Seu prazer.” (Sri Yugala-Arati verso 1)]
madana-mohana-rupa tri-bhanga sundara pitambara sikhi-puccha-cuda manohara
[”Em Sua bela forma madana-mohana que se curva em três pontos, Ele é tão atraente até para Cupido. Com Seu dhoti de seda amarela e coroa decorada com penas de pavão, Ele cativa as mentes de todos”. (verso 2) ]
Krsna está em tri-bhanga sundara. Ele está inclinado em três lugares e está muito belo com Sua flauta, pena de pavão, e vana-mala (guirlanda de flores da floresta), e Ele olha afeicionadamente na direção de Srimati Radhika e sorri. “Madana-mohana.” Se qualquer um O vir, e se até mesmo Kamadeva O vir, esta pessoa se encantará. “Pitambara.” Devemos tentar dar uma pitambara (xale ou veste amarela) para a Deidade de Krsna.
lalita-madhava-bame vrsbhanu-kanya nila-vasana gauri rupe gune dhanya
[”À esquerda do amoroso e encantador Sri Madhava está a bela filha do Rei Vrsabhanu, Srimati Radhika, vestida com um sari da cor do lótus azul. Sua tez é da cor do ouro derretido e Sua beleza e qualidades são inigualáveis “(verso 3)]
“Vrsabhanu-kanya.” Srimati Radhika está ao lado esquerdo de Krsna. “Lalita-Madhava.” Essa palavra foi explicada no Sri Ujjvala-nilamani. Quem é Madhava? Ele é lalita, extremamente belo e brincalhão. Ele nunca fica ou se senta com Srimati Radhika como faz com Yasoda-maiya, Nanda Baba, ou os sakhas. Lalita-Madhava está lá com Srimati Radhika, e neste momento Srimati Radhika é chamada Madhavi, Lalita- Madhavi.
Há muitas explicações para a palavra lalita. Krsna é o único lalita-nayaka ou dhira-lalita (dhira-lalita é a Pessoa brincalhona que pode manter Sua namorada sempre subjulgada com Suas diferentes qualidades). Krsna na forma de Rama não é lalita, como Dvarakadhisa Ele não é lalita, como Vaikuntha-pati Ele não é lalita, como Subal-sakha Ele não é lalita, e como o filho de Yasoda Ele não é lalita. Lalita é Aquele que fica ao lado esquerdo de Srimati Radhika, e por perto estão Lalita-devi, Visakha, Citra, Campakalata, Indulekha, Rangadevi, Sudevi, Rupa Manjari, Rati Manjari, e Lavanga Manjari, ali Ele pode ser lalita. Ao cantar essa canção, muitos pensamentos e humores virão, e vocês sentirão como se estivessem Os vendo com Lalita executando Seu arati arati. Por que Srimati Radhika é referida como Vrsabhanu-kanya? Por que não Kirtika -kanya? É porque ela é especialmente amada por Seu pai, muito mais que por Sua mãe. Ela não veio do ventre de Kirtika; na verdade ela estava flutuando sobre uma flor de lótus no Yamuna . Ela aparece de diferentes formas, em diferentes lugares e em diferentes kalpas (milênios). Em um kalpa diferente Ela apareceu do ventre de Kirtika-devi, mas de qualquer modo, Seu pai A ama mais que Sua mãe. Diferentemente, Krsna é amado muito mais por Mãe Yasoda do que por Nanda Baba. Nanda Baba também O ama, mas Mãe Yasoda O ama muito mais. Com Srimati Radhika, é o oposto. ”Nila-vasana” significa que Radhika tomou a cor de Madana-mohana Krsna e Se vestiu com essa cor.
nana-vidha alankara kore jhalamalahari-mano-vimohanavadana ujjvala
[”Ela está adornada com vários ornamentos cintilantes e tremeluzentes (alankaras), encantando a mente de Hari com Sua face radiante.” (verso 4)]
Ela veste muitas variedades de ornamentos, e foi decorada pelo próprio Krsna. Lalita diz a Krsna, “Ó, você não sabe como decorá-la!”, e levemente O empurra com seu cotovelo. Então Krsna diz, “Você não sabe, Eu sei mais”. Eles estão brigando e Srimati está rindo. ”Hari-mano-vimohana.” Srimati Radhika é aquela à qual Krsna dá Seu coração. Ela pega Seu coração.
Visakhadi sakhi-gana nana rage gaya Priya-narma-sakhi jata camara dhulaya
[”Visakha lidera todas as sakhis em cantar várias ragas (canções melodiosas de acordo com a hora apropriada do dia), enquanto todas as outras priya-narma-sakhis aliviam Sri Radha e Krsna com abanos camaras.” (verse 5)]
Aquelas que estão cantando e executando kirtana são Visakha, Citra, Champakalata, Rupa Manjari, Lavanga Manjari, Ananga Manjari, e tantas outras, com muitos tipos de melodias. Quem são as priya-narma sakhis? Lalita, Visakha, e depois Champakalata, e então Citra, Tungavidya, e há muitas outras. Elas estão muito belas e humildemente movimentando suas camaras. Suas posturas são tão maravilhosas que Krsna quer que elas movimentem as camaras diante Dele.
sri radha-madhava-pada-sarasija-ase bhakativinoda sakhi-pade sukhe bhase
[”Aos pés das donzelas de Vraja-dhama encontra-se um oceano de alegria. Nele Bhaktivinoda Thakura nada, esperando alcançar os pés de lótus de Sri Radhika e Madhava..” (verso 6)]
Srila Bhaktivinoda Thakura está cantando este arati kirtana de Radha e Krsna, e está orando, “sri radha-madhava-pada-sarasija ase.” Sarasija significa lótus. Os pés de Radha e Madhava são como lótus, e ele quer servir Seus pés de lótus. Enquanto o arati está acontecendo, pode-se acrescentar essas idéias para melhorar nossa Consciência de Krsna. Se vocês estão adorando Radha e Krsna e executando Seu arati, e nessa hora cantam a canção de Narahari-rupa Senhor Nrsimhadeva, “kesava dhrta-narahari-rupa jaya jagadisa hare”, qual será a utilidade? Narahari não pode ir a Vrndavana. Parama-pujapada Srila Bhaktivedanta Swami Maharaja deu esse mantra primeiramente, antes de dar os diksa-mantras de Radha e Krsna. Ele disse a seus jovens discípulos para fazer isso pensando, “De algum modo eles devem começar sua adoração.” Isso é chamado ‘coletando devotos.’ É para pessoas comuns, para gradualmente levá-las até bhakti. Aqueles que são iniciantes devem fazer assim, mas aqueles que querem avançar, devem adorar em seus quartos e em suas casas. Deixe que seja feito como está em qualquer templo, mas você, sua esposa, seus filhos e alguns raros devotos, devem tentar seguir esses outros princípios. Aí então vocês verão que tudo irá bem.
Conselho Editorial: Sripad Madhava Maharaja e Sripad Brajanatha dasa
Transcrição e Digitação: Anita dasi e Vasanti dasi
Editoração: Syamarani dasi
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COMO EXECUTAR PROFUNDAMENTE O ARATI
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Srila Bhakti Siddhanta Saraswati Thakur Conversa com a Sra. Nora Morell, Visitante da Alemanha

Devemos ter fé firme na Divindade. Somos absolutos infinitesimais, e é apenas apropriado que nos associemos com o Absoluto. Se nos sentirmos apreensivos (encabulados) de fazê-lo, é provável que nos enredemos com os assuntos efêmeros deste mundo. Aqueles que são amigos estão conosco apenas por um curto período de tempo. Eles nos abandonarão a qualquer momento, quando forem chamados a sair deste mundo.
O que quer que façamos, deveríamos tender a nos associar com a Divindade e não nos envolvermos com qualquer trabalho nosso que tenha objetivos temporários. Dependemos dEle. Por sermos infinitesimais, precisamos ter nossa posição final nEle.
Todas as nossas atividades devem ser rexecutadas para satisfazer exclusivamente aos propósitos dEle. Não é bom que pensemos que temos qualquer outra coisa a fazer. Ao contrário das pessoas em geral, precisamos obter um método de direcionar tudo apenas para Ele, para o Seu serviço.
O corpo grosseiro externo não pode viver mais do que cem anos. Nossas especulações mentais estão comprometidas a nos fazer continuar em nossa atual forma humana. Mas, num dado momento, seremos obrigados a deixar esta perturbação mortal, e cessarão nossas transações com o mundo externo, não importa nosso ardor a respeito de manter-nos associados com a natureza manifestadora das coisas.
Se desejamos nos associar com o Absoluto, é preciso que abandonemos, dentro de nossas possibilidades, toda propaganda não absoluta que nos leva a alcançar nossos objetivos temporários; caso contrário, nos converteremos em meros materialistas. Essa propaganda não absoluta nos instigará a nos enredarmos com pensamentos e idéias mundanos. Estaremos pensando sobre os desenvolvimentos físicos, em vez de nos associarmos ao Absoluto.
Todos somos absolutos, ainda que infinitesimalmente pequenos. Já que mostramos desconfiança, provamos essa nossa desconfiança de nos associarmos a Ele. Desse modo, tal como cometas, fomos arrojados para longe dEle.Nos rebelamos contra essa Entidade. Agora, para retornarmos a Ele, é essencial que todas nossas associações e movimentos tendam a Seu serviço.
Mas antes de tudo, Ele precisa ser designado. Quem é Ele? Que forma Ele tem? E como poderemos retornar a Ele? Quando soubermos que Ele Se mantém aparte de tudo neste mundo fenomenal, sentiremos a necessidade de nos associar a Ele. E esta associação pode ser obtida se formos capazes de eliminar os impedimentos externos que são como barreiras entre o Infinito Absoluto e os infinitesimais absolutos.
Nossas especulações mentais objetivam a associação com os objetos fenomenais. Mas alguns filósofos consideraram que seria possível dirigir nossas especulações mentais a Ele em Sua forma abstrata, em vez de em Sua natureza manifestadora. Mas aqui, obtivemos a Sua natureza manifesta com o propósito de nos associarmos a Ele.
Não podemos ter esta associação por meio de qualquer tipo de privação. Os objetos fenomenais são indesejáveis. Ainda que exerçam algum efeito sobre nós, são transitórios e não nos proporcionarão o bem até o final dos tempos. Não pensamos, igual aos materialistas, que nossa existência cessará. Os materialistas pensam que tudo termina quando morremos –que todos nossos problemas terminarão com a morte. Esta idéia miserável deveria ser descartada.
Precisamos ocupar todas nossas atividades para nos associarmos ao Absoluto, já que nós mesmos somos associados infinitesimais.
Não somos o corpo, nem a mente, nem a atmosfera externa, de quem precisamos nos dissociar. Estas situações indesejáveis precisam ser eliminadas a todo custo, caso contrário seremos absorvidos pelos objetivos baixos deste mundo.
Várias pessoas usam os animais inferiores como comida. Na antiguidade, quando o canibalismo prevalecia no mundo, as pessoas costumavam comer carne humana. Eles pensavam que o corpo humano destinava-se a seu consumo. Mais tarde, quando a civilização progrediu, as pessoas abandonaram o canibalismo, mas continuaram a comer a carne de animais inferiores. Na Índia, as pessoas que pertencem a castas elevadas não comem alimento animal. O desenvolvimento do pensamento religioso acabou com a prática da crueldade contra os animais que era praticada de várias formas. A ciência agora provou que os vegetais também têm vida e que são capazes de sentir dor e prazer.
Não se trata de cometermos suicídio abstendo-nos de todo tipo de comida. Este problema é resolvido quando o alimento se destina a satisfazer o Absoluto.
Tudo veio dEle e deve retornar a Ele, e tudo se destina a Seu serviço. Todos os objetos animados e inanimados provêm dEle e destinam-se apenas a servi-lO. Ao nos apropriarmos das coisas, estamos enganando o Absoluto. Somos absolutos infinitesimais e estamos iludidos pelo carater manifesto dos fenômenos mundanos. Temos de nos livrar desta ilusão. Precisamos obter um vislumbre e alcançar a Verdade.
Se formos sinceros, Ele Se mostrará à nossa visão. O que quer que façamos, devemos fazê-lo para Ele, para satisfazer os Seus objetivos eternos, em vez de indulgirmos nas transações transitórias. Nossa função não é de apenas executarmos nosso trabalho para satisfazer a nós mesmos. Não deveríamos ser os beneficiários dos frutos de nossos empreendimentos. O melhor para nós é que façamos tudo a favor dEle e em Seu serviço. Somos servos. Se mantemos cães, seremos servos de cães. Se mantemos cavalos, seremos servos de cavalos, e se nos tornamos altruistas, seremos servos apenas de seres humanos. Mas é o Absoluto quem precisa ser servido a todo custo.
Precisamos considerar indispensável que todas nossas atividades tendam a Seu serviço. Todos os seres animados ou inanimados emanaram dEle. Deveríamos servir ao Absoluto e não nos ocuparmos no que não é absoluto.
A maioria das pessoas está perdida ao tentar entender o que deveria fazer e qual é seu destino. Tais pessoas somente percebem o lado superficial das coisas, sendo que este lado externo das coisas é bastante ilusório. Por sermos pessoas inteligentes, precisamos ter muito cuidado. Precisamos adentrar tudo do modo apropriado. Nossa visão não deveria ser obstruída pela representação morfológica das coisas, nem por seu lado ontológico.
A organização metodológica dos fenômenos não deveria se restringir a nosso objetivo ordinário de apenas viver. Mas já que nossa meta é vivermos uma vida pacífica, não desejamos ser perturbados pelos elementos indesejáveis do mundo. Às vezes, por seguir regras e normas e pelo respeito aos princípios cívicos, encontramos um pouquinho de paz. Mas, novamente, temos problemas devido a uma ou outra divergência das pessoas de fora. Existe uma agência operando ao fundo que não se expõe a nossos sentidos atuais.
Nossos nervos sensoriais são muito incapazes no que se refere ao objetivo de permitir uma associação com a verdade. Somos enganados pela aparência de devoção e de verdade que as pessoas podem exibir frequentemente.
As características externas, as fases morfológica e ontológica das coisas, algumas vezes são consideradas prejudiciais à nossa causa, quando ambicionamos estabelecer um contato com o Absoluto. Temos a possibilidade de obter a experiência dos últimos dez mil anos. Podemos julgar e discernir o melhor método a adotar, em vez de indulgirmos na maneira como as pessoas mundanas realizam seus afazeres à nossa volta.
Nossos sentidos reagem rapidamente aos objetos fenomenais. Objetos super-sensoriais são simplesmente negligenciados. As representações eternas, as manifestações eternas e os aspectos eternos são completamente negligenciados. Ansiamos poder tirar o máximo proveito do contato com todas as coisas desejáveis.
Em nossa vida atual, descobrimos que tudo isso é traiçoeiro e apenas nos conduz exclusivamente à satisfação de nossos sentidos. Esta propaganda não absoluta precisa parar. O que quer que possamos fazer, precisamos considerar que nem deveríamos nos sentir tímidos nem indolentes de oferecermos nossos serviços ao Absoluto.
A palavra "Absoluto" é explicada de várias maneiras. Experimentamos os objetos de fenômenos não absolutos e indesejáveis. Nossa mente é vista como dotada de uma natureza não absoluta. A mente discerne todas as coisas como sendo apenas objetos sensoriais. Descreve-se que o Absoluto Se reserva o direito de não ser exposto aos senti-dos humanos. Se o Absoluto fôsse um objeto fenomenal, estaría sob nosso domínio. Mas essa não é a situação correta. Devemos nos dedicar como Seus servos. Não pensemos que nós é que somos os desfrutadores e que Ele é o objeto predominado de nosso prazer. Ele jamais é tal coisa.
Somos obrigados a passar por diversas situações indesejáveis e desejamos nos livrar de tudo isso. Nosso impulso interno tem de ser de acessarmos a região onde todos os objetos nos oferecem uma oportunidade especial de nos associarmos ao Absoluto. Nosso objetivo deveria ser de nos associarmos com a plenitude, com a eternidade, com a pureza e com o melhor de tudo que é desejável, e não de nos misturarmos com as coisas temporárias da natureza ilusória.
Não deveríamos ter uma idéia aleijada do Supremo. Devemos esperar que a mensagem transcendental chegue plena até nós. Teremos então uma oportunidade de nos associarmos com Ele. Precisamos de um tempo para progredir na investigação da Transcendência.
Somos muito pequenos. Alguma influência avassaladora vem sobre nós e temos problemas. Assim, é melhor recorrermos ao Infinito Absoluto. Não deveríamos agir como cometas que se distanciam dEle, mas que retornam à sua morada original. Lá, nossa natureza manifesta encontra-se sempre presente, enquanto que aqui os objetos fenomenais servem apenas por poucos dias. Desse modo, é preciso que convertamos este benefício eterno em nosso objetivo. Se tivermos a deteminação para nos associarmos exclusivamente com a Entidade Total, seremos capazes de ignorar todas estas influências da natureza, toda influência das descobertas científicas.
Existem muitas coisas ocultas e não reveladas a nós e que precisam ser recebidas através de nossa recepção aural. Precisamos treinar nossos nervos auditivos para torná-los suscetíveis às ondas sonoras do mensageiro transcendental, pois, desse modo, seremos capazes de progredir rumo à Transcendência.
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(Esta conversa teve lugar em 1 de setembro de 1936 e foi publicada originalmente na revista "The Hamonist" em 20 de janeiro de 1937, mais tarde republicada na íntegra no "Sri Gaudiya Darshan" de 1983.)
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Ângulo de Visão Correto
Ângulo de Visão Correto
Srila Bhakti Siddhanti Saraswati Thakur
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Pergunta: Não consigo compreender este mundo.
Resposta: É vida em campo. Este mundo não é nossa morada original. Destina-se a certos objetivos. Depois disso, devemos prosseguir para nosso lar original. Este mundo não é um lugar desejável. Não é bom se ficar atraído a ficar aqui por longo tempo, esquecendo de nossa morada original, onde ficamos com o Supremo. Somos os servos eternos do Supremo.
Quando decidimos nos assenhorear do universo, recebemos estas facilidades com objetivos temporários. Elas não servem a nossos objetivos eternos. Seria melhor que buscássemos um lugar onde pudéssemos encontrar a paz verdadeira. Aqui, estamos sempre sujeitos a sofrer perturbações.
Por meio dessas perturbações, a Providência deseja nos ensinar que o mundo não é nosso habitat eterno, mas que toda paz verdadeira deve ser encontrada nEle. Sendo assim perturbados, naturalmente gostaremos de retornar à região original.
A vida neste mundo deveria ser conduzida de modo pacífico, em vez de ser no espírito de retaliação. Deveríamos aprender a sofrer todas essas coisas submetendo-nos a Seus Desejos Divinos. Se fizermos isso, poderemos obter essa mesma paz aqui. É devido à nossa ambição de dominar que somos trazidos para cá. As condições aqui são tais que interligam cada posição.
Se exigimos mais do que o que nos é permitido, temos problemas. Deveríamos, melhor, retornar à nossa própria posição, a nosso único amigo. Ele é o único Abrigo para todas nossas necessidades e desejos. Mas, se pegamos a carga da responsabilidade sobre nós mesmos para correr rumo ao erro, acabamos tendo problemas na forma de nossas transações diárias. Não deveríamos cair em tal tentação.
As ofertas do cultivador da estética destinam-se a nos iludir, quando nos levam a pensar que este mundo é um local confortável. Toda melhoria real deveria levar ao Supremo. Deveria nos oferecer todas as coisas úteis por meio das quais nos livrarmos dessas tentações.
Desde que somos humanos, deveríamos emprestar nossos ouvidos para conhecer a melhor situação do mundo transcendental onde são exibidos os melhores aspectos da Realidade. Aqui, sofremos com as dificuldades de nossa visão eclipsada. É portanto melhor procurar pela região onde estão em voga todos os tipos da Natureza manifesta.
Os servos do Supremo sempre cuidarão de nosso interesse. Aqui, nossos amigos algumas vezes gostam de nós e outras vezes viram-se contra nós. Mas existe aqui a oportunidade de ouvir a respeito de nosso lar original dos lábios de pessoas muito familiarizadas com ele. Se negligenciarmos essa oportunidade, com o tempo nos arrependeremos. Suas palavras nos elevarão e mudarão a nossa mentalidade.
Todo tipo de perguntas complexas serão resolvidas, se ouvirmos essas pessoas que têm muito pouco a ver com este mundo. Nossa situação neste mundo está sujeita a mudanças, como nevoeiros e fogs. Por sermos pessoas inteligentes, ao invés de sermos inexplicavelmente desconfiados, nossa natureza prudente deveria nos permitir ouvir de vez em quando a respeito do mundo transcedental e da natureza manifesta. Uma atitude incrédula não nos concederá essa oportunidade.Este corpo externo será trocado como também nossa situação atual. Mas possuímos uma estrutura transcendental. Tão logo aprendamos que a estrutura transcendental está funcionando emnós, este dispositivo mortal deixará de nos perturbar.
As pessoas no Ocidente pensam que a mente é a alma. Diferimos deles. Existe uma vasta literatura na Índia dando suporte ao ponto de vista de que a alma é a proprietária da mente. A mente é a procuradora da alma para lidar com o mundo externo em cinco tipos de relacionamentos diferentes, como esposo e esposa, mestre e servo, pais e filhos, como amigos e de modo neutro. A alma está agora totalmente absorta por uma agência extrangeira. O corpo é diferente da roupa que o cobre. A alma está revestida pelos corpos materiais grosseiro e sutil. Esses corpos destinam-se a ser usados pela alma por um certo período.
Quando a atividade verdadeira torna-se latente, a mente apenas atua com o ímpeto dos sentidos, cobrindo a alma com as substâncias moleculares materiais. Mas a alma é a entidade verdadeira. Os sentidos são os objetos operantes, alguns para uso externo e outros para uso interno.
O denso exerce uma atração sobre as pessoas comuns. Destina-se a tais pessoas. Até mesmo os assim-chamados filósofos são vistos subscrevendo o slogan de que o corpo material grosseiro deveria ter preferência em todos os assuntos religiosos deste mundo (sariram adhyam kalu dharma sadhanam). Eles estão muito envolvidos com as coisas materiais grosseiras e sutis, ignorando a própria saúde da alma. As coisas materiais mudarão. Esta mudança algumas vezes nos concede facilidades e, outras vezes, cria obstáculos a nosso progresso. Mas a alma não muda e não pode ser destruída, ainda que seja suscetível de ser coberta pela forma sutil ou abstrata da densidade material na forma de nossa mentalidade passageira que é um presente de Maya. Ela nos deu os sentidos para medirmos as coisas prazeirosas para intensificar nossa posição egoísta. As pessoas religiosas pensam que não precisam satisfazer os sentidos destinados apenas a iludir. Como por exemplo, estaremos iludidos se pensarmos que o ar da atmosfera existe para nosso desfrute ou para nos conceder prazeres temporários. Essa mesma oportunidade irá embora para nos fazer saber que não se destina a nosso bem.
Estamos sujeitos a perturbações promovidas por esses agentes obstrutores. Sua quantidade nos mostrará que são mais numerosos que as coisas que podem nos dar bem-aventurança –a única coisa que deveriamos procurar. O pleno centro do êxtase encontra-se no Supremo. Toda sensação agradável deste mundo, se avaliada apropriadamente, mostrará que serve apenas a objetivos temporários, com o fim de obter nossos frutos mais adiante.
Esse é o plano do treinamento. Neste plano, estamos sujeitos a supor que tudo existe para nos servir. Mas a verdade é que existimos para servir ao Supremo dentro das cinco diferentes capacidades. Somente quando julgamos apropriado descer a este mundo para assenhorear-nos de outras entidades finitas para nosso desfrute é que acabamos esquecendo, até certo ponto, nossa posição verdadeira. Esta contingência surge quando queremos negar nosso Senhor. Por nosso próprio desejo, essa tendência, que era inata em nós, levou-nos a preferir esta região temporal.
Estas confusões emaranhadoras serão lentamente removidas quando as verdadeiras sugestões chegarem até nós ao encontrarmos pessoas conscientes de nosso interesse.Pessoas otimistas tendem a evitar tais pensamentos aparentemente pessimistas. Preferem meter-se nos problemas. Mas deveríamos obter o único refúgio no Absoluto.
A recepção auditiva é o único caminho que deveríamos seguir. Devemos estar preparados para ouvir como viver uma vida pacífica e aspirar pela bem-aventurança eterna do Absoluto, e quem pode concedê-la. A menos que nos submetamos a Ele, não há possibilidade de alcançar a região eterna. De outro modo, estaríamos multiplicando especulações que apenas serão obstáculos.
Ao invés de pretender ser um agente predominador, deveríamos nos situar como agentes predominados a fim de servir ao Supremo, a fonte de todas as coisas manifestas; e todas as atividades deveriam tender a Ele, sem esperar qualquer retorno comercial. Somos como Filisteus avessos ao pensamento teológico. Existimos para fazer dinheiro, ganhar fama e desfrutar de prazeres. Esta é a propensão natural por aqui. Toda esta propaganda relativista deve-se à aversão ao serviço ao Absoluto. Portanto, deveríamos emprestar nossa audição às descrições sobre a Transcendência a fim de nos tornarmos capazes de compreender como obter o verdadeiro fruto da alma em vez de sermos desorientados pela mente. A mente é como a procuradora da alma. Ela está sempre em busca da expansão de seu próprio interesse às custas do principal se pensar em passar seus dias de modo indolente, quando será naturalmente iludida pela mente. A alma adormecida precisa ser desperta. O melhor uso de nossa inteligência, prudência e desejabilidade deveria nos fazer progredir rumo à vida eterna. Os prazeres temporários com certeza nos trarão problemas a longo prazo.
Pergunta: Qual é a diferença entre shanti e ananda (paz e bem-aventuança)?
Resposta: Os impersonalistas pensam que Deus deveria oferecer um rasa neutro. Budha pensou que, ao final, existe a cessação da percepção. Shankaracharya argumentou que o Supremo não deveria ter forma alguma, que não deveria haver qualquer questão sexológica em relação a Ele, que todos deveriam retornar ao Absoluto, que não deveria haver diferença entre a alma individual e o Supremo, sendo que as três situações de observado, observador e observação se mesclariam em um Brahman pleno de júbilo e, ao mesmo tempo, desprovido de júbilo, inexistindo nele qualquer distinção entre ambos. A terceira escola é a escola devocional. Segundo essa escola, tudo o que se encontra aqui, como árvores, rios, montanhas etc., está presente no mundo transcendental. Aqui, encontramos apenas entidades separadas e, às vezes, estão desprovidas das centelhas de Realidade.
Pergunta: Por que o estudo da Filosofia não me traz paz agora?
Resposta: Porque escolhemos aderir à situação miserável e não prestarmos atenção ao Supremo.
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(Reprodução da conversa com o Major Rana N. J. Bahadur em Armadale, Darjeeling em 14 de junho de 1935. Originalmente publicada na revista The Harmonist (Vol. XXXI, No.21) de 27
de junho de 1935.)
A Necessidade Última pelo Devoto Puro
A Necessidade Última pelo Devoto Puro
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Srila Bhaktisidhanta
Saraswati Thakur
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"Rendição não é apenas uma transação verbal. Rendição significa não apenas render nossas posses mas realizar que as próprias posses são falsas. Eu não sou o mestre de nada. Eu não sou sequer mestre de mim mesmo. Rendição significa dar tudo ao Guru e nos livrarmos da conexão não sagrada com tantas posses, de modo que elas não nos perturbem, sempre sugerindo: "Você é meu mestre", e desse modo desorientando-nos."
– Srila Sridhar Dev-Goswami Maharaj
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Pouco após o desaparecimento físico de Srila Bhaktivinod Thakur, alguns de seus discípulos pensavam que poderiam continuar a avançar espiritualmente apenas por referir-se a seus ensinamentos. Contudo, isso contraria o siddhanta e, portanto, Srila Bhaktisidhanta Saraswati Thakur, seu filho e discípulo, escreveu o seguinte artigo para chamar atenção para esse desvio.
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Aproveitamos a oportunidade oferecida pela Celebração do Aniversário do advento de Thakur Bhaktivinod para refletir a respeito do método correto de obter aqueles benefícios disponibilizados para a humanidade pela graça desse grande devoto de Krishna. Thakur Bhaktivinod foi especialmente bondoso para com aquelas pessoas desafortunadas que estão absortas em todos os tipos de especulação mental. Essa é a doença que prevalece na era atual. Os demais acharyas que apareceram antes de Thakur Bhaktivinod não direcionaram seus discursos tão diretamente aos pensadores empíricos. Eles foram muito misericordiosos para com aqueles que estão naturalmente predispostos a ouvir os discursos a respeito do Absoluto sem serem dissuadidos por argumentos paradoxais de declarados oponentes do Supremo.
Srila Thakur Bhaktivinod aceitou a difícil tarefa de encarar os argumentos perversos dos especuladores mentais com a lógica transcendental superior da Verdade Absoluta. Isso permitiu à média dos leitores modernos lucrar com a leitura e exame de seus escritos. Não está longe o dia em que os valiosos volumes que surgiram da pena de Thakur Bhaktivinod serão reverentemente traduzidos pelos recipientes de sua graça a todas as línguas do mundo.
Os escritos de Thakur Bhaktivinod proporcionam a ponte dourada por meio da qual os especuladores mentais podem com segurança cruzar as águas furiosas das controvérsias empíricas infrutíferas que perturbam a paz daqueles que escolhem confiar em sua orientação para encontrar a Verdade. Tão logo o leitor favoravelmente inclinado se encontre na posição de ser capaz de apreciar a qualidade superior da filosofia de Thakur Bhaktivinod, a plena visão das escrituras reveladas do mundo se abrirá automaticamente diante de seus olhos reabilitados.
Contudo, tem surgido sérios equívocos com respeito à interpretação apropriada da vida e dos ensinamentos de Srila Thakur Bhaktivinod. Aqueles que supõem ter compre-endido o significado de sua mensagem sem ter garantido a graça orientadora do acharya estão inclinados a favorecer indevidamente os métodos do estudo empírico de seus escritos. Existem pessoas que conhecem de memória quase tudo que ele escreveu sem serem capazes de capturar sequer uma partícula de seu significado. Tal estudo não pode beneficiar aqueles que não estão preparados para agir de acordo com as instruções lucidamente transmitidas por suas palavras. Não há possibilidade de honestamente se perderem as advertências de Thakur Bhaktivinod. Portanto, aqueles que estão sendo enganados pelo estudo e exame de seus escritos são desviados por sua própria perversidade obstinada em ater-se ao curso empírico, o qual preferem saborear mesmo em contra de seus conselhos explícitos. Deixemos que essas pessoas desafortunadas analisem mais cuidadosamente seus próprios corações em busca da causa de seus infortúnios.
O serviço pessoal ao devoto puro é essencial para compre-ender o significado espiritual das palavras de Thakur Bhaktivinod. O Editor desta revista, iniciada por Thakur Bhaktivinod, tem tentado chamar a atenção de todos os seguidores de Thakur Bhaktivinod para este que é o ponto mais importante de seus ensinamentos. Não é preciso que tentemos nos situar num patamar de igualdade com Thakur Bhaktivinod. Provavelmente, não nos beneficiaremos com qualquer imitação mecânica de qualquer prática de Thakur Bhaktivinod sob o princípio oportunista de que isso pode ser conveniente para nós.
O Guru não é um mortal equivocado cujas atividades podem ser compreendidas pela razão falível da humanidade não reabilitada. Existe uma linha de demarcação que jamais pode ser ultrapassada entre o Salvador e o salvado. Somente aqueles que são realmente salvos podem conhecer isso. Thakur Bhaktivinod pertence à categoria dos mestres espirituais mundiais que ocupam eternamente uma posição superior.
O atual Editor tem sentido o tempo todo ser seu dever supremo tentar esclarecer o significado da vida e dos ensinamentos de Thakur Bhaktivinod pelo método do ouvir submisso do Som Transcendental dos lábios do devoto puro. O Guru que realiza o significado transcendental de todos os sons encontra-se numa posição de poder servir ao Absoluto sob a direção do Absoluto transmitida através de cada som. O Som Transcendental é o Supremo, o som mundano não é o Supremo. Todo som tem essas aptidões opostas. Todo som revela sua face Divina aos devotos e somente apresenta seu aspecto ilusório ao empiricista pedante. O devoto fala aparentemente o mesmo idioma que o empiricista pedante e iludido que decorou o vocabulário das escrituras. Mas, não obstante a aparente semelhança no desempenho, um não tem acesso à realidade, enquanto que o outro está absolutamente livre de toda ilusão.
Aqueles que repetem os ensinamentos de Thakur Bhaktivinod de memória não necessariamente compreendem o significado das palavras que repetem mecanicamente. Aqueles que podem passar na prova empírica de seus escritos não são necessariamente almas auto-realizadas. Pode ser que desconheçam completamente o verdadeiro significado das palavras que aprenderam pelo método do estudo empírico. Tomemos por exemplo o nome "Krishna". Todo leitor da obra de Thakur Bhaktivinod deve estar consciente de que o Nome Se manifesta nos lábios de Seus servos devotos ainda que Ele é inacessível aos sentidos mundanos. Uma coisa é passar na prova reproduzindo esta verdadeira conclusão dos ensinamentos de Thakur Bhaktivinod, e outra coisa bastante diferente é realizar a Natureza do Santo Nome de Krishna pelo processo transmitido pelas palavras.
Thakur Bhaktivinod não queria que nos dirigíssemos ao recitador mecânico de sons mundanos para obter acesso ao Nome Transcendental de Krishna. Tal pessoa pode estar plenamente equipada com todos os argumentos escritos explicando a natureza do Nome Divino. Mas, se ouvirmos todos esses argumentos de uma fonte morta, as palavras apenas aumentarão nossa ilusão. As mesmíssimas palavras vindo dos lábios do devoto terão um efeito diametralmente oposto. Nosso julgamento empírico jamais pode capturar a diferença entre os dois desempenhos. O devoto está sempre correto. O não-devoto, na forma do empirista pedante está sempre necessariamente errado. Num caso, a Verdade Substantiva e nada a não ser a Verdade Substantiva está sempre presente. No outro caso, é a hipótese aparente
ou desorientadora e nada a não ser a inverdade que está presente. O palavreado pode ter uma mesma aparência externa em ambos os casos. Os versos idênticos das Escrituras podem ser recitados pelo devoto e pelo não-devoto, mas os valores correspondentes dos dois processos permanecem categoricamente diferentes. O devoto está certo até mesmo quando aparentemente cita errado, e o não-devoto está errado mesmo que cite corretamente cada palavra, capítulo e verso das escrituras.
O conhecimento empírico não é o objeto da busca do devoto. Aqueles que lêem as escrituras para coletar sabedoria empírica estarão numa caça ao ganso selvagem. Não são poucas as pessoas facilmente enganadas por sua erudição escritural empírica. Essas pessoas crédulas contam com seus sub-crédulos admiradores. Mas a sociedade de tolos que se admiram mutuamente não escapa do infortúnio pelo peso de seu número devido a perseguirem deliberadamente o curso errado de acordo com as sugestões de nossos seres inferiores.
O que são as Escrituras? Nada mais do que o registro da Mensagem Divina feito pelos devotos puros e que aparece nos lábios dos devotos puros. A Mensagem transmitida pelos devotos é igual em todas as eras. As palavras dos devotos são sempre idênticas às das escrituras. Qualquer significado das escrituras que minimize a função do devoto que é o comunicador original da Mensagem Divina contradiz sua própria declaração ouvida. Aqueles que pensam que o idioma sânscrito em seu sentido lexicográfico é a linguagem da Divindade estão tão iludidos como aqueles que mantêm que a mensagem divina é comunicável através de qualquer outro dialeto falado. Todos os idiomas simultaneamente expressam e ocultam o Absoluto. A face mundana de todos os idiomas esconde a Verdade. A face transcendental de todo som expressa apenas o Absoluto. O devoto puro é que pronuncia a linguagem Transcendental. O Som Transcendental faz seu aparecimento nos lábios de Seu devoto puro. Este é o aparecimento direto e não ambíguo da Divindade. Nos lábios do não-devoto, o Absoluto sempre aparece em Seu aspecto ilusório. O Absoluto se revela no devoto puro em todas as circunstâncias. Se a alma condicionada estiver disposta a ouvir num espírito verdadeiramente submisso, a linguagem do devoto puro pode por si só impartir o conhecimento do Absoluto. Ao escolher emprestar seus ouvidos ao não-devoto, a alma condicionada considera erradamente que o ilusório é o aspecto real. Esta é a razão porque a alma condicionada é alertada a evitar a associação dos não-devotos.
Thakur Bhaktivinod é reconhecido por todos seus seguidores sinceros como possuindo os poderes acima mencionados de ser um devoto puro do Supremo. Suas palavras devem ser recebidas dos lábios de um devoto puro. Se essas palavras forem ouvidas dos lábios de um não-devoto, elas certamente transmitirão uma impressão falsa. Se suas palavras forem estudadas à luz da própria experiência, seu significado se recusará a revelar-se a tais leitores. Suas obras pertencem à categoria das eternas literaturas reveladas do mundo e, para sua compreensão correta, devem ser abordadas através de sua exposição pelo devoto puro. Se não se obtiver a ajuda do devoto puro, as obras de Thakur Bhaktivinod serão mal compreendidas de modo grosseiro por seus leitores. O leitor atento dessas obras descobrirá que está sendo direcionado sempre a atirar-se sob a misericórdia do devoto puro, se não quiser ficar injustificadamente auto-satisfeito pelos resultados ilusórios de seu método de estudo equivocado.
Somente a pessoa com quem o Acharya está satisfeito de transmitir o seu poder encontra-se na posição de ser capaz de transmitir a Mensagem Divina. Isso se constitui no princípio subjacente da linha de sucessão de professores espirituais. O Acharya assim autorizado não tem outro dever a não ser entregar intacta a mensagem recebida de seus predecessores. Não há diferença entre os pronunciamentos de um Acharya e do outro. Todos eles são mediuns perfeitos para o aparecimento da Divindade na Forma do Nome transcendental, Queé idêntico à Sua Forma, Qualidade, Atividade e Parafernália.
A Divindade é Conhecimento Absoluto. O Conhecimento Absoluto possui o carater da Unidade indivisível. Uma partícula de Conhecimento Absoluto é capaz de revelar toda a potência da Divindade. Aqueles que desejam compreender o conteúdo de volumes escritos pelo método aquisitivo em etapas, aplicável ao conhecimento enganador disponível para a mente no plano mundano, estão destinados a se auto-enganarem. Aqueles que são buscadores sinceros da Verdade são os únicos elegíveis a encontrá-lO, no –e através do– método apropriado de Sua busca.
Ouvir as palavras do devoto puro é absolutamente essencial para poder situar-se no rastro do Absoluto. A palavra falada do Absoluto é o Absoluto. É apenas o Absoluto que pode distribuir a Si Mesmo aos constituintes de Seu poder. O Absoluto aparece ao ouvido atento da alma condicionada na forma do Nome nos lábios do sadhu. Esta é a chave de toda a posição. As palavras de Thakur Bhaktivinod direcionam o pedante empírico a descartar seu método e inclinação equivocados no umbral da verdadeira busca pelo Absoluto. Se o pedante ainda escolher carregar seus erros para a Esfera da Verdade Absoluta, ele apenas marcha por um caminho secundário devido a seu estudo arrogante das escrituras. O método oferecido por Thakur Bhaktivinod é idêntico ao objeto de sua busca. O método não é realmente compreendido exceto pela graça do devoto puro. Os argumentos, na verdade, são esses. Mas eles podem apenas corroborar e nunca ser substitutos para a palavra que provém da fonte da Verdade, que não é outra a não ser o devoto puro de Krishna, o Absoluto Pessoal concreto.
O maior presente de Thakur Bhaktivinod ao mundo consiste nisto: que ele trouxe o aparecimento daqueles devotos puros que estão atualmente levando adiante o movimento da devoção pura aos Pés de Sri Krishna por seu serviço espiritual à Divindade o tempo todo. A pureza da alma somente é descritível analogamente por meio da fonte da linguagem mundana. Para a pureza Transcendental perfeita do devoto autêntico do Absoluto, o maior ideal da moralidade empírica não é melhor do que a mais grosseira malignidade. A própria palavra "moralidade" em si é o nome errado e malvado quando aplicado a qualquer qualidade da alma condicionada. A satisfação hipócrita com a atitude negativa é parte e parcela do princípio da densa imoralidade.
Aqueles que pretendem reconhecer a Missão Divina de Thakur Bhaktivinod sem aspirar pelo serviço incondicional àquelas almas puras que realmente seguem os ensinamentos do Thakur pelo método enfatizado pelas escrituras e explicado por Thakur Bhaktivinod de maneira tão eminentemente apropriada às exigências da mentalidade sofisticada da era atual, apenas enganam a si mesmos e a suas vítimas acordes por meio de suas profissões e desempenhos hipócritas. Tais pessoas não devem ser confundidas com os membros genuínos do grupo.
Thakur Bhaktivinod predisse a consumação da unificação religiosa do mundo pelo aparecimento da única Igreja Universal que porta a designação eterna de Brahma Sampradaya. Ele deu à humanidade a garantia abençoada de que todas as Igrejas teístas em breve se fundirão numa única e terrena comunidade espiritual pela graça do Supremo Senhor Sri Krishna Chaitanya. A comunidade espiritual não está circunscrita às condições do tempo, espaço, raça e nacionalidade. A humanidade tem estado ansiando por este evento divino distante por longas eras.
Thakur Bhaktivinod disponibilizou a concepção em sua forma espiritual praticável para o empiricista de mente aberta que está preparado para passar pelo processo de iluminação. A pedra chave do Arco foi assentada, o que concederá o abrigo necessário a toda animação desperta sob seus amplos braços envolventes. Aqueles que impensadamente permitiriam que seu orgulho vazio de raça, pseudo-conhecimento ou pseudo-virtude ficasse no caminho desta consumação há tanto esperada, terão de dar graças apenas a si mesmos por não terem sido aceitos na sociedade espiritual de todas as almas puras. Essas palavras plenas não precisam ser mal representadas pelas pessoas arrogantes que estão cheias da vaidade da ignorância empírica, como os pronunciamentos do sectarismo agressivo. Os pronunciamentos agressivos da Verdade concreta são a necessidade gritante atual de silenciar a propaganda agressiva de inverdades específicas que estão sendo difundidas por todo o mundo pelos prega-dores de invencionices empíricas para melhoramento do penoso lote de almas condicionadas. A propaganda empírica se reveste da linguagem da abstração negativa para iludir aqueles que estão envolvidos na busca egoísta de desfrute mundano.
Mas existe uma função positiva da alma pura que não deveria ser perversamente confundida com qualquer forma utilitária de atividade mundana. A humanidade precisa dessa função espiritual positiva, a qual é absolutamente ignorada pelos impersonalistas hipócritas. A função positiva da alma harmoniza as demandas de extremo egoísmo com aquelas de extrema auto-abnegação na sociedade das almas puras, mesmo neste mundo mundano. Em sua forma concreta e realizável, a função é perfeitamente inacessível à compreensão do empirista. Sua concepção imperfeita e desorientadora fica disponível apenas para a alma condicionada que estuda as escrituras sem ser auxiliada pela graça sem causa dos devotos puros do Supremo.
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Ensaio publicado pela primeira vez na revista The Harmonist, em dezembro de 1931, vol. XXIX, Nº 6
Srila Bhaktisidhanta
Saraswati Thakur
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"Rendição não é apenas uma transação verbal. Rendição significa não apenas render nossas posses mas realizar que as próprias posses são falsas. Eu não sou o mestre de nada. Eu não sou sequer mestre de mim mesmo. Rendição significa dar tudo ao Guru e nos livrarmos da conexão não sagrada com tantas posses, de modo que elas não nos perturbem, sempre sugerindo: "Você é meu mestre", e desse modo desorientando-nos."
– Srila Sridhar Dev-Goswami Maharaj
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Pouco após o desaparecimento físico de Srila Bhaktivinod Thakur, alguns de seus discípulos pensavam que poderiam continuar a avançar espiritualmente apenas por referir-se a seus ensinamentos. Contudo, isso contraria o siddhanta e, portanto, Srila Bhaktisidhanta Saraswati Thakur, seu filho e discípulo, escreveu o seguinte artigo para chamar atenção para esse desvio.
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Aproveitamos a oportunidade oferecida pela Celebração do Aniversário do advento de Thakur Bhaktivinod para refletir a respeito do método correto de obter aqueles benefícios disponibilizados para a humanidade pela graça desse grande devoto de Krishna. Thakur Bhaktivinod foi especialmente bondoso para com aquelas pessoas desafortunadas que estão absortas em todos os tipos de especulação mental. Essa é a doença que prevalece na era atual. Os demais acharyas que apareceram antes de Thakur Bhaktivinod não direcionaram seus discursos tão diretamente aos pensadores empíricos. Eles foram muito misericordiosos para com aqueles que estão naturalmente predispostos a ouvir os discursos a respeito do Absoluto sem serem dissuadidos por argumentos paradoxais de declarados oponentes do Supremo.
Srila Thakur Bhaktivinod aceitou a difícil tarefa de encarar os argumentos perversos dos especuladores mentais com a lógica transcendental superior da Verdade Absoluta. Isso permitiu à média dos leitores modernos lucrar com a leitura e exame de seus escritos. Não está longe o dia em que os valiosos volumes que surgiram da pena de Thakur Bhaktivinod serão reverentemente traduzidos pelos recipientes de sua graça a todas as línguas do mundo.
Os escritos de Thakur Bhaktivinod proporcionam a ponte dourada por meio da qual os especuladores mentais podem com segurança cruzar as águas furiosas das controvérsias empíricas infrutíferas que perturbam a paz daqueles que escolhem confiar em sua orientação para encontrar a Verdade. Tão logo o leitor favoravelmente inclinado se encontre na posição de ser capaz de apreciar a qualidade superior da filosofia de Thakur Bhaktivinod, a plena visão das escrituras reveladas do mundo se abrirá automaticamente diante de seus olhos reabilitados.
Contudo, tem surgido sérios equívocos com respeito à interpretação apropriada da vida e dos ensinamentos de Srila Thakur Bhaktivinod. Aqueles que supõem ter compre-endido o significado de sua mensagem sem ter garantido a graça orientadora do acharya estão inclinados a favorecer indevidamente os métodos do estudo empírico de seus escritos. Existem pessoas que conhecem de memória quase tudo que ele escreveu sem serem capazes de capturar sequer uma partícula de seu significado. Tal estudo não pode beneficiar aqueles que não estão preparados para agir de acordo com as instruções lucidamente transmitidas por suas palavras. Não há possibilidade de honestamente se perderem as advertências de Thakur Bhaktivinod. Portanto, aqueles que estão sendo enganados pelo estudo e exame de seus escritos são desviados por sua própria perversidade obstinada em ater-se ao curso empírico, o qual preferem saborear mesmo em contra de seus conselhos explícitos. Deixemos que essas pessoas desafortunadas analisem mais cuidadosamente seus próprios corações em busca da causa de seus infortúnios.
O serviço pessoal ao devoto puro é essencial para compre-ender o significado espiritual das palavras de Thakur Bhaktivinod. O Editor desta revista, iniciada por Thakur Bhaktivinod, tem tentado chamar a atenção de todos os seguidores de Thakur Bhaktivinod para este que é o ponto mais importante de seus ensinamentos. Não é preciso que tentemos nos situar num patamar de igualdade com Thakur Bhaktivinod. Provavelmente, não nos beneficiaremos com qualquer imitação mecânica de qualquer prática de Thakur Bhaktivinod sob o princípio oportunista de que isso pode ser conveniente para nós.
O Guru não é um mortal equivocado cujas atividades podem ser compreendidas pela razão falível da humanidade não reabilitada. Existe uma linha de demarcação que jamais pode ser ultrapassada entre o Salvador e o salvado. Somente aqueles que são realmente salvos podem conhecer isso. Thakur Bhaktivinod pertence à categoria dos mestres espirituais mundiais que ocupam eternamente uma posição superior.
O atual Editor tem sentido o tempo todo ser seu dever supremo tentar esclarecer o significado da vida e dos ensinamentos de Thakur Bhaktivinod pelo método do ouvir submisso do Som Transcendental dos lábios do devoto puro. O Guru que realiza o significado transcendental de todos os sons encontra-se numa posição de poder servir ao Absoluto sob a direção do Absoluto transmitida através de cada som. O Som Transcendental é o Supremo, o som mundano não é o Supremo. Todo som tem essas aptidões opostas. Todo som revela sua face Divina aos devotos e somente apresenta seu aspecto ilusório ao empiricista pedante. O devoto fala aparentemente o mesmo idioma que o empiricista pedante e iludido que decorou o vocabulário das escrituras. Mas, não obstante a aparente semelhança no desempenho, um não tem acesso à realidade, enquanto que o outro está absolutamente livre de toda ilusão.
Aqueles que repetem os ensinamentos de Thakur Bhaktivinod de memória não necessariamente compreendem o significado das palavras que repetem mecanicamente. Aqueles que podem passar na prova empírica de seus escritos não são necessariamente almas auto-realizadas. Pode ser que desconheçam completamente o verdadeiro significado das palavras que aprenderam pelo método do estudo empírico. Tomemos por exemplo o nome "Krishna". Todo leitor da obra de Thakur Bhaktivinod deve estar consciente de que o Nome Se manifesta nos lábios de Seus servos devotos ainda que Ele é inacessível aos sentidos mundanos. Uma coisa é passar na prova reproduzindo esta verdadeira conclusão dos ensinamentos de Thakur Bhaktivinod, e outra coisa bastante diferente é realizar a Natureza do Santo Nome de Krishna pelo processo transmitido pelas palavras.
Thakur Bhaktivinod não queria que nos dirigíssemos ao recitador mecânico de sons mundanos para obter acesso ao Nome Transcendental de Krishna. Tal pessoa pode estar plenamente equipada com todos os argumentos escritos explicando a natureza do Nome Divino. Mas, se ouvirmos todos esses argumentos de uma fonte morta, as palavras apenas aumentarão nossa ilusão. As mesmíssimas palavras vindo dos lábios do devoto terão um efeito diametralmente oposto. Nosso julgamento empírico jamais pode capturar a diferença entre os dois desempenhos. O devoto está sempre correto. O não-devoto, na forma do empirista pedante está sempre necessariamente errado. Num caso, a Verdade Substantiva e nada a não ser a Verdade Substantiva está sempre presente. No outro caso, é a hipótese aparente
ou desorientadora e nada a não ser a inverdade que está presente. O palavreado pode ter uma mesma aparência externa em ambos os casos. Os versos idênticos das Escrituras podem ser recitados pelo devoto e pelo não-devoto, mas os valores correspondentes dos dois processos permanecem categoricamente diferentes. O devoto está certo até mesmo quando aparentemente cita errado, e o não-devoto está errado mesmo que cite corretamente cada palavra, capítulo e verso das escrituras.
O conhecimento empírico não é o objeto da busca do devoto. Aqueles que lêem as escrituras para coletar sabedoria empírica estarão numa caça ao ganso selvagem. Não são poucas as pessoas facilmente enganadas por sua erudição escritural empírica. Essas pessoas crédulas contam com seus sub-crédulos admiradores. Mas a sociedade de tolos que se admiram mutuamente não escapa do infortúnio pelo peso de seu número devido a perseguirem deliberadamente o curso errado de acordo com as sugestões de nossos seres inferiores.
O que são as Escrituras? Nada mais do que o registro da Mensagem Divina feito pelos devotos puros e que aparece nos lábios dos devotos puros. A Mensagem transmitida pelos devotos é igual em todas as eras. As palavras dos devotos são sempre idênticas às das escrituras. Qualquer significado das escrituras que minimize a função do devoto que é o comunicador original da Mensagem Divina contradiz sua própria declaração ouvida. Aqueles que pensam que o idioma sânscrito em seu sentido lexicográfico é a linguagem da Divindade estão tão iludidos como aqueles que mantêm que a mensagem divina é comunicável através de qualquer outro dialeto falado. Todos os idiomas simultaneamente expressam e ocultam o Absoluto. A face mundana de todos os idiomas esconde a Verdade. A face transcendental de todo som expressa apenas o Absoluto. O devoto puro é que pronuncia a linguagem Transcendental. O Som Transcendental faz seu aparecimento nos lábios de Seu devoto puro. Este é o aparecimento direto e não ambíguo da Divindade. Nos lábios do não-devoto, o Absoluto sempre aparece em Seu aspecto ilusório. O Absoluto se revela no devoto puro em todas as circunstâncias. Se a alma condicionada estiver disposta a ouvir num espírito verdadeiramente submisso, a linguagem do devoto puro pode por si só impartir o conhecimento do Absoluto. Ao escolher emprestar seus ouvidos ao não-devoto, a alma condicionada considera erradamente que o ilusório é o aspecto real. Esta é a razão porque a alma condicionada é alertada a evitar a associação dos não-devotos.
Thakur Bhaktivinod é reconhecido por todos seus seguidores sinceros como possuindo os poderes acima mencionados de ser um devoto puro do Supremo. Suas palavras devem ser recebidas dos lábios de um devoto puro. Se essas palavras forem ouvidas dos lábios de um não-devoto, elas certamente transmitirão uma impressão falsa. Se suas palavras forem estudadas à luz da própria experiência, seu significado se recusará a revelar-se a tais leitores. Suas obras pertencem à categoria das eternas literaturas reveladas do mundo e, para sua compreensão correta, devem ser abordadas através de sua exposição pelo devoto puro. Se não se obtiver a ajuda do devoto puro, as obras de Thakur Bhaktivinod serão mal compreendidas de modo grosseiro por seus leitores. O leitor atento dessas obras descobrirá que está sendo direcionado sempre a atirar-se sob a misericórdia do devoto puro, se não quiser ficar injustificadamente auto-satisfeito pelos resultados ilusórios de seu método de estudo equivocado.
Somente a pessoa com quem o Acharya está satisfeito de transmitir o seu poder encontra-se na posição de ser capaz de transmitir a Mensagem Divina. Isso se constitui no princípio subjacente da linha de sucessão de professores espirituais. O Acharya assim autorizado não tem outro dever a não ser entregar intacta a mensagem recebida de seus predecessores. Não há diferença entre os pronunciamentos de um Acharya e do outro. Todos eles são mediuns perfeitos para o aparecimento da Divindade na Forma do Nome transcendental, Queé idêntico à Sua Forma, Qualidade, Atividade e Parafernália.
A Divindade é Conhecimento Absoluto. O Conhecimento Absoluto possui o carater da Unidade indivisível. Uma partícula de Conhecimento Absoluto é capaz de revelar toda a potência da Divindade. Aqueles que desejam compreender o conteúdo de volumes escritos pelo método aquisitivo em etapas, aplicável ao conhecimento enganador disponível para a mente no plano mundano, estão destinados a se auto-enganarem. Aqueles que são buscadores sinceros da Verdade são os únicos elegíveis a encontrá-lO, no –e através do– método apropriado de Sua busca.
Ouvir as palavras do devoto puro é absolutamente essencial para poder situar-se no rastro do Absoluto. A palavra falada do Absoluto é o Absoluto. É apenas o Absoluto que pode distribuir a Si Mesmo aos constituintes de Seu poder. O Absoluto aparece ao ouvido atento da alma condicionada na forma do Nome nos lábios do sadhu. Esta é a chave de toda a posição. As palavras de Thakur Bhaktivinod direcionam o pedante empírico a descartar seu método e inclinação equivocados no umbral da verdadeira busca pelo Absoluto. Se o pedante ainda escolher carregar seus erros para a Esfera da Verdade Absoluta, ele apenas marcha por um caminho secundário devido a seu estudo arrogante das escrituras. O método oferecido por Thakur Bhaktivinod é idêntico ao objeto de sua busca. O método não é realmente compreendido exceto pela graça do devoto puro. Os argumentos, na verdade, são esses. Mas eles podem apenas corroborar e nunca ser substitutos para a palavra que provém da fonte da Verdade, que não é outra a não ser o devoto puro de Krishna, o Absoluto Pessoal concreto.
O maior presente de Thakur Bhaktivinod ao mundo consiste nisto: que ele trouxe o aparecimento daqueles devotos puros que estão atualmente levando adiante o movimento da devoção pura aos Pés de Sri Krishna por seu serviço espiritual à Divindade o tempo todo. A pureza da alma somente é descritível analogamente por meio da fonte da linguagem mundana. Para a pureza Transcendental perfeita do devoto autêntico do Absoluto, o maior ideal da moralidade empírica não é melhor do que a mais grosseira malignidade. A própria palavra "moralidade" em si é o nome errado e malvado quando aplicado a qualquer qualidade da alma condicionada. A satisfação hipócrita com a atitude negativa é parte e parcela do princípio da densa imoralidade.
Aqueles que pretendem reconhecer a Missão Divina de Thakur Bhaktivinod sem aspirar pelo serviço incondicional àquelas almas puras que realmente seguem os ensinamentos do Thakur pelo método enfatizado pelas escrituras e explicado por Thakur Bhaktivinod de maneira tão eminentemente apropriada às exigências da mentalidade sofisticada da era atual, apenas enganam a si mesmos e a suas vítimas acordes por meio de suas profissões e desempenhos hipócritas. Tais pessoas não devem ser confundidas com os membros genuínos do grupo.
Thakur Bhaktivinod predisse a consumação da unificação religiosa do mundo pelo aparecimento da única Igreja Universal que porta a designação eterna de Brahma Sampradaya. Ele deu à humanidade a garantia abençoada de que todas as Igrejas teístas em breve se fundirão numa única e terrena comunidade espiritual pela graça do Supremo Senhor Sri Krishna Chaitanya. A comunidade espiritual não está circunscrita às condições do tempo, espaço, raça e nacionalidade. A humanidade tem estado ansiando por este evento divino distante por longas eras.
Thakur Bhaktivinod disponibilizou a concepção em sua forma espiritual praticável para o empiricista de mente aberta que está preparado para passar pelo processo de iluminação. A pedra chave do Arco foi assentada, o que concederá o abrigo necessário a toda animação desperta sob seus amplos braços envolventes. Aqueles que impensadamente permitiriam que seu orgulho vazio de raça, pseudo-conhecimento ou pseudo-virtude ficasse no caminho desta consumação há tanto esperada, terão de dar graças apenas a si mesmos por não terem sido aceitos na sociedade espiritual de todas as almas puras. Essas palavras plenas não precisam ser mal representadas pelas pessoas arrogantes que estão cheias da vaidade da ignorância empírica, como os pronunciamentos do sectarismo agressivo. Os pronunciamentos agressivos da Verdade concreta são a necessidade gritante atual de silenciar a propaganda agressiva de inverdades específicas que estão sendo difundidas por todo o mundo pelos prega-dores de invencionices empíricas para melhoramento do penoso lote de almas condicionadas. A propaganda empírica se reveste da linguagem da abstração negativa para iludir aqueles que estão envolvidos na busca egoísta de desfrute mundano.
Mas existe uma função positiva da alma pura que não deveria ser perversamente confundida com qualquer forma utilitária de atividade mundana. A humanidade precisa dessa função espiritual positiva, a qual é absolutamente ignorada pelos impersonalistas hipócritas. A função positiva da alma harmoniza as demandas de extremo egoísmo com aquelas de extrema auto-abnegação na sociedade das almas puras, mesmo neste mundo mundano. Em sua forma concreta e realizável, a função é perfeitamente inacessível à compreensão do empirista. Sua concepção imperfeita e desorientadora fica disponível apenas para a alma condicionada que estuda as escrituras sem ser auxiliada pela graça sem causa dos devotos puros do Supremo.
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Ensaio publicado pela primeira vez na revista The Harmonist, em dezembro de 1931, vol. XXIX, Nº 6
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A Necessidade Última pelo Devoto Puro
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hare krishna !reverencias a todos os leitores e devotos do senhor krishna !
este blog esta em construção , vou tentar condensar aqui as aulas do site bhakti brasil que encontrar on line .jaya srila gurudeva !
Yuga Acarya Srila Bhaktivedanta Narayan Goswami Maharaja Ki Jay Ho!!!

